Como McNamara surfou a onda mais perigosa do globo

Unindo desporto e ciência, americano contou como surfou ondas glaciares no Alasca. Agora, procura novos desafios em Portugal.

"Foi algo tão esmagador que me levou às lágrimas." Garrett McNamara, o surfista de ondas gigantes mais famoso do mundo, está habituado a desafios extremos. Porém, "nunca mais" sentiu "aquela adrenalina" desde que surfou as ondas mais perigosas do mundo: as geradas pela queda de pedaços gigantescos de um glaciar no rio Cooper, no Alasca (EUA). Ontem, o surfista americano esteve a contar a experiência, no Exploratório - Centro Ciência Viva de Coimbra, numa sessão que serviu também para alertar para os perigos das alterações climáticas.

Se "Garrett McNamara é um exemplo pela forma como junta ciência e desporto" - como disse o diretor do Exploratório, Paulo Trincão -, foi isso mesmo que o surfista fez ontem (unir ciência e desporto), numa conversa informal em que acabou rodeado de pedidos de fotos, autógrafos (até numa prancha de bodyboard) e dois dedos de conversa. Em discussão esteve a experiência do estado-unidense a surfar as ondas glaciares do Alasca, que ficou registada no documentário The Glacier Project, realizado por Ryan Casey e gravado no verão de 2007.

Foi Ryan Casey quem convidou McNamara e o compatriota Keali"i Mamala (outro entusiasta das big waves) para irem ao Alasca ter uma experiência completamente diferente, surfando as ondas de 15 a 20 metros geradas pela queda de blocos de gelo de glaciares com quase cem metros de altura. "Ao ver como o gelo se desprende do glaciar e tudo acontece, quisemos que o mundo soubesse", recordou McNamara.

No entanto, surfar no rio Cooper não foi fácil. Só perto do local onde cai o gelo, e o seu impacto na água gera a onda gigante, é que era possível fazê-lo em condições, depois de horas de espera. E então a experiência era mesmo "esmagadora e de ir às lágrimas", contou o surfista. "Apanhar a primeira onda daquelas foi o momento mais assustador que tive na vida. Tive vontade de vir embora", frisou.

McNamara não fugiu mas passou a ver as coisas de jeito diferente. "Fez-me perceber quão confortável estou no oceano, nunca mais estive com medo no oceano", explicou. Ao mesmo tempo, entendeu que devia "tentar inspirar as pessoas a fazer coisas significativas", para evitar o avanço do aquecimento global, que provoca o degelo dos glaciares.

Busca "novas ondas" em Portugal

Após a iniciativa no Exploratório, o surfista partilhou com o DN as suas preocupações ambientais e levantou a ponta do véu sobre um projeto futuro, procurar "novas ondas" em Portugal. "Para nós, surfistas, as alterações climáticas até geram ondas maiores... mas isso também pode destruir o mundo e talvez um dia não existam mais ondas. É mais importante deixarmos um mundo melhor aos nossos filhos. Temos de fazer escolhas para evitar o avanço do aquecimento global", afirmou.

Quanto aos novos desafios em Portugal, McNamara quer "procurar novas ondas que nunca foram surfadas, explorando novas áreas". "Há muito mais ondas grandes. A Nazaré é a minha casa e o meu sítio especial, mas há muito mais em Portugal. Este país é muito especial e tem imensos spots desconhecidos. Se a Nazaré estava ali à frente e ninguém se tinha apercebido, imagina quantos mais podem haver", apontou, sem querer revelar o próximo destino. Afinal, ainda que a adrenalina não seja a mesma desde o Alasca, o surfista não descansa na procura de novas emoções.

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