Cerca de metade dos atletas com bolsa não foram aos Jogos

Presidente do Comité Olímpico fez balanço preocupante sobre projeto Olímpico do Rio2016 na Assembleia da República.

O Comité Olímpico de Portugal (COP) considera "preocupante" que "cerca de metade" dos atletas que receberam bolsas no ciclo do Rio2016, não tenha sequer garantido o apuramento para os Jogos Olímpicos, onde Portugal conquistou apenas uma medalha (o bronze de Telma Monteiro no judo).

A revelação foi feita pelo presidente do COP, sem quantificar, ontem, na Assembleia da República, na Comissão que pretende avaliar a participação portuguesa no Rio2016. E onde José Manuel Constantino admitiu que esperava melhor participação da missão portuguesa. "Ficámos aquém dos objetivos e das nossas expectativas. Tínhamos previsto que 25% dos atletas no topo do apoio olímpico chegassem às medalhas, ou seja, prevíamos três medalhas, alcançámos uma. Prevíamos 12 diplomas, conseguimos dez. Esperávamos 17 posições de semifinalista, tivemos 18", resumiu o líder do COP.

Ora, segundo o contrato programa assinado pelo governo e o COP, estes eram os objetivos: "25 % dos atletas integrados no Nível 1, que participem nos Jogos Olímpicos Rio 2016, devem alcançar classificações de pódio; 50 % dos atletas integrados no Nível 2 alcancem classificações de finalista; 80 % dos atletas de Nível 3 alcancem classificações de semifinalista."

E como os objetivos não foram alcançados o Estado pode tomar a iniciativa de rever as verbas contratualizadas, em 2014, com o governo de Passos Coelho, para o ciclo Olímpico Tóquio 2020 e que prevê: "Projeto de Esperanças Olímpicas Tóquio, 2020 - 1.350.000.00 euros; Projeto Deteção e Desenvolvimento de Talentos - 787.500.00 euros."

Atletismo não aceita recados

Apesar de, no geral, Portugal ter somado mais pontos do que em Londres2012 e Pequim2008, Constantino lamentou que 60% dos atletas não tenham conseguido confirmar os resultados que estiveram na origem do apuramento para o Rio2016. "Este é um dado que tem de ser analisado com cuidado, uma vez que há modalidades condicionadas pelo contexto de competição", defendeu, antes de assumir a responsabilidade pelos resultados abaixo das expectativas e "sem qualquer reparo a fazer aos recursos disponibilizados".

E, em jeito de explicação, questionou: " Por que motivo um atleta que rendeu há dois meses já não rende nos Jogos Olímpicos? Temos de fazer esta avaliação, sem prejuízo de todas as questões. Se não, corremos o risco de colocar mais dinheiro no projeto de Tóquio2020 e ter resultados semelhantes."

José Manuel Constantino mostrou-se convicto de que a melhoria de resultados passará por uma reforma do calendário competitivo dos atletas nacionais em ano de Jogos Olímpicos. "Não é possível estar no pico de forma nos Europeus e mantê-lo até aos Jogos. Grande parte dos medalhados olímpicos resguardam-se em anos de Jogos Olímpicos", atirou o líder do Comité.

O atletismo, a modalidade mais representada no Rio2016, com 24 atletas, esteve presente nos Europeus de Amesterdão, em julho, onde um mês antes dos Jogos conquistou três medalhas individuais (2 ouro, 1 prata, 2 bronze e uma por equipas). Mas, ao DN, o presidente da Federação de Atletismo disse não achar que as palavras de Constantino sejam um "recado" para o atletismo, "até porque há muitas modalidades com europeus e até mundiais em ano de Jogos".

No entanto, para Jorge Vieira, o presidente do COP "não devia entrar por aí", pois, "essa é uma questão para os técnicos". E, segundo ele, "há fatores com mais influência no desempenho dos atletas que possam explicar o desempenho dos portugueses nos JO". Mas prefere "opiniar" sobre isso na reunião das federações com o Comité Olímpico, já no dia 10.

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