Catarino, o avançado de 45 anos que quer chegar aos 300 golos

Avançado está a seis golos de atingir número redondo na carreira: "Só preciso de dois minutos em campo e de um cruzamento"

Paulo Catarino tem 45 anos e continua a jogar futebol, tendo representado o Palmelense (II Divisão da AF Setúbal) na época que agora terminou. Não é caso único, mas o ponta- -de-lança natural da cidade do Sado tem a particularidade de ter um objetivo bem vincado para atingir: chegar aos 300 golos (tem 294) na carreira, faltando-lhe só meia dúzia.

"Motiva-me a paixão pelo futebol, e depois o objetivo dos 300 golos, que é uma coisa que já persigo há algum tempo e que espero conseguir até ao final da minha carreira", contou, em conversa com o DN, ainda sem imaginar o dia em que vai pendurar as botas.

"Estou disposto a jogar até atingir esse objetivo. Estou bem fisicamente. Basta-me treinar. Este ano foi mais complicado, porque só comecei a treinar no Palmelense a partir de dezembro, mas treinando todos os dias, com a vida que tenho - sem tabaco, álcool e noitadas -, sinto-me perfeitamente em condições de entrar em campo e fazer golos", afirmou o veterano ponta-de- -lança, que já vestiu a camisola de 27 clubes ao longo do percurso no futebol sénior.

Aceita propostas para... sábado

O sonho de Catarino sofreu um revés quando ingressou no Torreense como treinador adjunto de Rui Narciso, há cerca de ano e meio. "Tornou-se complicado ter domingos para jogar. Ser adjunto é uma função exigente, que me faz estar sempre presente nos jogos da equipa. Na época que agora acabou, fiz poucos jogos, porque não dava para conciliar, mas ainda marquei dois golos. Se houver algum clube no país que jogue ao sábado, vou para lá jogar. De maneira alguma não posso deixar este objetivo [chegar aos 300 golos] por concretizar", confessou, bem-disposto, prometendo golos a quem o vier a contratar e a aprender enquanto treinador adjunto para um dia assumir uma equipa.

"Na minha estreia pelo Palmelense, entrei aos 90 minutos e marquei aos 92". No último jogo, entrei aos 85" e marquei aos 87". Dizia à malta daqui que só preciso de dois minutos e um cruzamento", recordou, revelando já ter propostas de clubes da sua região em cima da mesa para a nova temporada.

Para onde vai jogar, ainda não sabe, mas tem bem definido a quem vai dedicar os 300 golos: à mãe, falecida há dois anos e de quem cuidou até ao último dia. "Esse é o principal objetivo de eu continuar. A relação com a minha mãe era muito especial. Era a minha primeira fã, aquela que me deu mais forças, e foi graças a ela que fiz carreira no futebol, porque sempre me incentivou. Sempre me disse para ir atrás dos meus sonhos. Não sei onde ela estará nem se vê ou vai saber, mas os 300 golos serão dedicados a ela", desabafou, a conter as lágrimas, um dia após ter feito uma tatuagem no peito com o rosto da sua "rainha".

27 clubes na carreira

Catarino levou ao Campo Cornélio Palma (casa do Palmelense), local da entrevista, um saco cheio de camisolas de clubes pelos quais jogou. E ainda faltavam muitas. No total, representou 27 emblemas, num percurso no futebol sénior que se iniciou em 1991/92, ao serviço do Quintajense.

O veterano avançado começou por dizer que todos os clubes o "marcaram", mas lá confessou que foi especial ter vestido as cores do Vitória de Setúbal, em 1999/00. "Foi o ponto mais alto da minha carreira. Foi o clube que me deu a oportunidade de jogar na I Liga e é o clube da minha terra e da minha família. Tinha uma proposta do Getafe, que estava na II Liga espanhola, com o contrato na mesa para assinar, mas o Vitória ligou-me e as coisas mudaram completamente. Ia ficar em casa, a minha mulher estava grávida, juntei tudo, e abdiquei do dobro do dinheiro", recordou o jogador, que também alinhou por Nacional, Imortal, Leça, Olhanense, Atlético, Torreense e Fabril, entre outros.

"Comecei no patamar mais baixo e fui subindo todos os anos. Justificava em campo as apostas que os clubes faziam. E quando ficava no mesmo escalão, ia para um clube que me dava melhores condições. Todos os anos surgiam melhores condições, e foi por isso que nunca estive quatro ou cinco anos num clube. O futebol é mesmo assim e não me arrependo. Joguei no país inteiro. Só não joguei nos Açores: norte, centro, sul, interior e ilhas", contou o goleador, de quase 1,90 metros, que aos 23 anos deixou uma tipografia para se dedicar por inteiro ao futebol: "Foi quando assinei o primeiro contrato profissional, com o União de Santiago do Cacém, em 1995. Davam-me 80 contos e só recebia 60 na tipografia."

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