Caso dos e-mails faz nova vítima. Piriquito demite-se da Federação

Membro do Conselho Fiscal da FPF terá passado documentos internos a Pedro Guerra. Mas garante que não fez nada ilícito

Horácio Piriquito, membro do Conselho Fiscal da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), apresentou ontem a demissão após as revelações da revista Sábado que o implicavam no caso dos e-mails e de ter passado documentos internos da FPF a Pedro Guerra, comentador afeto ao Benfica. Antes do anúncio da demissão, a federação emitiu um comunicado a informar ter feito uma denúncia à Polícia Judiciária (PJ) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a alegada partilha de documentos internos com pessoas externas.

Segundo a edição online da Sábado, Pedro Guerra recebeu durante vários meses documentos internos da FPF relacionados com auditorias trimestrais do organismo, os quais não eram de divulgação pública. A revista publica mesmo alegadas mensagens trocadas entre o comentador afeto ao Benfica e Horácio Piriquito. Num alegado e-mail datado de setembro de 2015, Pedro Guerra terá agradecido a Piriquito o envio de documentos - "Guardarei religiosamente e de forma confidencial, claro!"

Também em comunicado, publicado ontem no seu Facebook, Horácio Piriquito negou ter praticado qualquer crime, garantindo que "nenhuma informação confidencial foi passada para a praça pública", apesar de confessar ser amigo de Pedro Guerra "há mais de 20 anos", dos tempos em que foi jornalista. "Estas notícias enquadram-se claramente no atual registo de guerra aberta no futebol português, em que vale tudo, em que se tenta espalhar o ódio e o medo, e pretendem criar ruído e fazer vítimas." O agora ex-membro do Conselho Fiscal da FPF diz que tomou a decisão de se demitir não por considerar "ter praticado algum ilícito", mas por entender ser esta "a forma de melhor defender o prestígio e o bom-nome da instituição em causa", anunciando que vai "recorrer às instâncias judiciais para a reposição cabal da verdade".

FPF já queria destituição

A Federação Portuguesa de Futebol já tinha intenção de propor a destituição de Piriquito do cargo na sequência das notícias que o implicavam no caso dos e-mails. Além disso, "por em causa poder estar a violação de segredo, a FPF denunciou o referido facto à Polícia Judiciária, disponibilizando-se para os procedimentos entendidos por convenientes.

O organismo presidido por Fernando Gomes refere ainda que "o conteúdo da revista Sábado aponta no sentido de os documentos internos da FPF terem sido partilhados por um elemento eleito para o Conselho Fiscal [Horácio Piriquito], pelo que a direção da FPF decidiu remeter, nesta data, o conteúdo do artigo publicado para o Conselho de Justiça da FPF, apresentar queixa à PGR, por se tratar de eventual crime desta dependente". O órgão federativo pretendia também "requerer uma assembleia geral extraordinária para discussão e votação da proposta de destituição" de Piriquito "por violação grave de deveres estatutários".

O membro do Conselho Fiscal da FPF é a segunda vítima do caso dos e-mails no espaço de apenas uma semana. No dia 9, Miguel Lucas Pires renunciou ao cargo de árbitro no Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) depois de a Sábado ter divulgado mensagens em que este dirigente requisitava a Fernando Seara cinco bilhetes para o jogo entre o Benfica e o Marítimo, disputado em abril deste ano, e que foram oferecidos pelo clube da Luz.

O caso dos e-mails rebentou quando em junho Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto, divulgou no Porto Canal alegados e-mails trocados entre Adão Mendes, antigo árbitro da Associação de Futebol de Braga, e Pedro Guerra, na altura diretor de conteúdos da Benfica TV. No dia 19 deste mês, a Polícia Judiciária realizou buscas no Estádio da Luz e em casa de vários dirigentes, entre os quais Luís Filipe Vieira.

Exclusivos