Capital e velejadores portugueses em equipa da Volvo Ocean Race

Fundação de empresário português do setor da aviação, Paulo Mirpuri, cofinancia projeto. Dois marinheiros portugueses integrarão equipa mista rigorosamente paritária.

A presença portuguesa na próxima edição da Volvo Ocean Race (VOR) vai atingir níveis nunca antes alcançados. Uma nova equipa ontem anunciada na sede da prova, em Alicante, terá como financiador um empresário português, Paulo Mirpuri (setor da aviação). Além do mais, o plano é ter também dois velejadores portugueses a bordo - algo que nunca aconteceu - ainda não selecionados. A prova começa em outubro.

A equipa - a sexta a ser anunciada para esta regata de volta ao mundo - terá uma mulher como skipper, a britânica Dee Caffari, uma veterana da vela oceânica - a única mulher que já fez, sozinha, voltas ao mundo em ambas as direções (da Europa para Leste, contra ventos e correntes predominantes, passando do Atlântico para o Pacífico pelo cabo Horn; ou da Europa para Oeste, com ventos e correntes mais favoráveis, ligando o Atlântico ao Índico pelo cabo da Boa Esperança).

Dee Caffari, que integrou na última VOR o Team SCA (uma equipa exclusivamente feminina), já disse que pretende formar uma tripulação absolutamente paritária (cinco mulheres e cinco homens) e predominantemente jovem.

O projeto já tem nome: Turn the tide on plastic - ou seja, traduzindo, "Mudar a maré do plástico". O objetivo será transformar-se num porta-estandarte da ideia de sustentabilidade dos oceanos (calcula-se que em 2050, pelo atual ritmo, haja mais plástico no mar do que peixe). "Estou absolutamente encantada por ter a oportunidade de navegar por uma causa pela qual sou tão apaixonada", disse a velejadora, citada no site da VOR. "A Volvo Ocean Race é o maior desafio que uma equipa pode enfrentar. Queremos alertar as pessoas dentro e fora da água para todos estes factos." Esta agenda ecológica levou a que haja desta vez um contrato de parceria entre a Volvo Ocean Race e a UN Environment, a agência das Nações Unidas para as questões ambientais. Em todos os portos se desenvolverão ações de promoção da ideia de sustentabilidade dos oceanos.

E é precisamente pela questão ambiental que surgiu o parceiro português. Paulo Mirpuri dirige a Fundação Mirpuri, uma organização não lucrativa que coloca os seus recursos ao serviço de uma agenda de promoção de um mundo melhor. Isto nas áreas da investigação médica, conservação da vida selvagem, conservação dos recursos marítimos, responsabilidade social e artes performativas, além de na investigação e educação aeronáutica. "Sentimos imensos orgulho em apoiar esta incrível campanha de saúde oceânica, com a certeza de que proporcionará um excelente contributo para a saúde do nosso maravilhoso planeta azul", disse Paulo Mirpuri. "Em Portugal, há muito que temos uma tradição marítima muito rica, e esta campanha, orientada para a juventude, é também um passo importante para moldar o futuro de uma classe portuguesa de velejadores oceânicos. A Fundação Mirpuri espera colaborar com a Volvo Ocean Race para atingir esse objetivo nos próximos anos", prosseguiu o empresário. Juntamente com a Fundação Mirpuri, associa-se também ao projeto uma fundação semelhante americana, a Ocean Health Foundation. E os outros intervenientes no financiamento do projeto deverão ser, no essencial, organizações não governamentais.

Ciclo mais curto

Também ontem a organização da VOR anunciou em Alicante (sede da competição) o que já se esperava: a prova deixará de ter um ciclo trienal e passará a bianual. Assim, a próxima edição será em 2019 e não em 2020, como estava previsto. Um dos objetivos é incluir num novo traçado uma etapa que seja uma volta completa ao polo sul (a Antártida).

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG