Cai o pano nas principais ligas: aplausos para Iniesta, Torres e Buffon

Fim de semana foi marcado pela despedida de três lendas aos seus clubes de (quase) sempre. Torres bisou

Foi um epílogo de emoções fortes e lágrimas nos olhos, mesmo que já pouco estivesse em discussão. Caiu o pano sobre a época 2017-18 nas principais ligas europeias de futebol, com aplausos para três lendas que se despediram dos seus clubes de (quase) sempre, Andrés Iniesta, Fernando Torres e Gianluigi Buffon: todos jubilados em glória, de troféu nos braços e bancadas a seus pés.

Para Iniesta ficou guardado o último grande momento desta edição da liga espanhola: ovacionado por todo o Camp Nou, abraçado por colegas de equipa e adversários, deixou o relvado ao minuto 82 do Barcelona-Real Sociedad, substituído por Paco Alcácer. Foi o adeus do médio-ofensivo, de 34 anos, ao fim de 16 anos, 674 jogos e 33 títulos pela equipa principal do Barça, o único emblema que envergou.

Então, já das bancadas tinham saído dois agradecimentos, em forma de faixas e cartolinas coloridas - "Infinit8 Iniesta", a mensagem que a camisola do Barça também transportava (num piscar de olhos ao significado no número oito invertido), e "gràcies per tant" -, e aplausos de cada vez que Iniesta tocava na bola. O criativo comandou a equipa num jogo para cumprir calendário, já com a conquista do campeonato garantida - acabou 1-0, graças a um golaço, em arco, de fora da área, de Philippe Coutinho (57"). E despediu-se (o destino mais alvitrado é o Vissel Kobe, do Japão) deixando a braçadeira de capitão com Lionel Messi, último vértice do triângulo (com Xavi) que deslumbrou a Europa nos últimos dez anos.

Com igual comoção, Fernando Torres deixou o Atlético de Madrid. Numa última jornada da liga espanhola já sem grandes decisões (com título, acesso à Liga dos Campeões e descidas de divisão resolvidas, o Sevilha assegurou no sábado a terceira vaga na Liga Europa), foi do avançado espanhol o penúltimo pico de entusiasmo.

Produto da cantera colchonera, Fernando Torres partiu ao fim de 11 anos (de 2001 a 2007 e de 2015 a 2018), 404 jogos e dois singelos títulos (a II liga de 2001-02 e a Liga Europa 2017-18) pela equipa principal do Atlético de Madrid. E fê-lo honrando a fama de goleador que lhe valeu a homenagem estampada nas bancadas e na camisola do clube madrileno ("De niño a leyenda"): foram do avançado, de 34 anos, os dois golos dos rojiblancos no empate caseiro com o Eibar (2-2).

Aos 42", assistido por Ángel Correa, Torres empurrou para o 1-1. Aos 62", lançado em velocidade por Diego Costa, atirou para o 2-2. Reduzido a dez, por expulsão de Lucas Hernández, o Atlético de Madrid consentiu o empate. Mas isso pouco ou nada ensombrou uma festa iniciada com El niño a exibir para as bancadas o troféu da recém-conquistada Liga Europa e terminada com o avançado a discursar e despedir-se em lágrimas dos adeptos rojiblancos - o seu próximo despedir poderá ser a MLS, liga norte-americana de futebol.

Buffon (e Inter) em foco na Série A

De resto, o dia de ontem também marcou o ponto final na edição desta época da liga italiana (por resolver, entre os principais campeonatos europeus, ficam apenas os play-off"s de manutenção/promoção na Alemanha e na França): o Crotone, derrotado em Nápoles (2-1), acabou despromovido e o Inter de Milão garantiu, in extremis, o último lugar de acesso à Liga dos Campeões. Os nerazurri ultrapassaram a Lazio em cima da meta, ao vencerem-na em Roma, por 2-3, com Icardi (78") e Vecino (81") a darem a volta ao marcador nos minutos finais.

Todavia, no sábado, a Série A já tinha assistido a outra despedida marcante: o guarda-redes Gianluigi Buffon disse adeus à Juventus, ao fim de 17 anos, 656 jogos e 19 títulos. O guardião, de 40 anos e ainda com o destino incerto, recebeu pela última vez os aplausos dos adeptos da vecchia signora depois de erguer o troféu do heptacampeonato transalpino recém-conquistado, após uma vitória caseira sobre o Hellas Verona (2-1).

Para Barcelona, Atlético de Madrid e Juventus, foi o fim de uma era. Para os outros todos, admiradores e rivais, também. "Vocês tornaram a batalha muito mais bonita e o futebol muito maior. Obrigado", despediu-se Sergio Ramos, capitão do Real Madrid, num mensagem dirigida a Iniesta, Torres e Buffon, com quem tantas vezes se cruzou nos relvados. Assim caiu o pano sobre a carreira (de primeira linha) de três lendas inesquecíveis.

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