Brasil arma artilharia antiaérea

Equipa de Tite é em média 11 centímetros mais baixa que a Sérvia, sua adversária na corrida aos oitavos de final

Há uma boa e uma má notícia para os brasileiros. A boa: na "era Tite", a seleção brasileira sofreu apenas seis golos em 24 jogos. A má: destes seis golos, quatro resultaram de jogadas aéreas. Justamente o ponto forte da Sérvia, adversário desta quarta-feira em Moscovo, na disputa direta por uma vaga nos oitavos de final do Mundial da Rússia. Com quatro pontos no Grupo E - ao lado da Suíça, que à mesma hora defronta a eliminada Costa Rica - e um ponto a mais que os sérvios, o empate serve ao Brasil, que se classifica mesmo sem marcar golos. Desde que também não os sofra.

Vencer ou empatar com a Sérvia, além de assegurar a vaga pode definir também o reencontro nos oitavos com o último algoz da seleção brasileira em mundiais, a Alemanha, que aplicou um vexatório 7-1 ao Brasil, nas meias finais do Mundial de 2014, antes de sagrar-se campeã. Quando iniciar a partida em Moscovo, às 19.00 em Lisboa, os brasileiros saberão a classificação final do Grupo F, que cruza com o E. Saberão também se os alemães - atualmente em segundo da tabela, com três pontos - conseguiram classificar-se e em que posição.

A possibilidade de "escolher" o adversário, porém, foge aos planos de Tite. "Não pensamos nisso, nem devemos pensar", garantiu, na conferência de terça-feira. Para o treinador, o Brasil tem muito com o que se preocupar em relação à Sérvia. "Após a partida e se passarmos, deixa vir o adversário que vier", afirmou. O central Miranda mostrou afinação com o comandante e uma boa dose de confiança. "O Brasil não escolhe adversário", resumiu o defensor, o terceiro dono da braçadeira de capitão no Mundial, sucedendo a Marcelo e Thiago Silva.

Miranda também não teve direito à escolha em enfrentar a equipa mais alta no Mundial, a Sérvia, com média de 1,86 metros. Se se levar em conta os jogadores que enfrentaram a Suíça, o pesadelo aumenta: 1,88 metros. Onze centímetros a mais que a provável equipa titular brasileira (1,77 metros de média). Miranda tem 1,86 metros, três a menos que Mitrovic, o goleador sérvio nas eliminatórias (17) e autor do golo (de cabeça) frente os helvéticos. O outro golo (mais uma vez, de cabeça) sérvio na Rússia é do defesa Kolarov (1,87 metros). A dupla defensiva brasileira completa-se com Thiago Silva, ainda mais baixo que o companheiro (1,83 metros).

A "artilharia antiaérea" de Tite passa em impedir a bola sérvia de cruzar a área brasileira. O treinador orientou os comandados a evitarem ao máximo as faltas nas laterais e os pontapés de canto. O selecionador lembrou ainda que defender não se resume a Miranda e Thiago Silva. "Se a bola não está com o Brasil, toda a equipa deve marcar", disse. E isso vale também para o defesa direito Fagner, no "alto" de seus 1,68 metros. Para Tite, se a Sérvia leva vantagem na estatura, não é tão veloz com a bola pelo chão.

"Tudo tem um lado bom e um lado ruim", filosofou, dando a entender que centímetros e metros combate-se, mesmo, com quilómetros por hora.

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