Bisneto de Mussolini assina contrato com a Lazio

Romano Floriani Mussolini, de 18 anos, tornou-se profissional do clube italiano com grande fatia de adeptos de extrema-direita. O jovem defesa já fez saber que não quer saber de política e só está interessado em jogar futebol.

O bisneto do ditador fascista italiano Benito Mussolini assinou contrato de futebolista profissional com a Lazio. Romano Floriani tem 18 anos e é filho de Alessandra Mussolini, antiga modelo, atriz e que foi eurodeputada pelo partido Forza Italia entre 2014 e 2019.

Curiosamente, o jovem defesa-direito até começou a dar os primeiros passos no futebol na AS Roma, até que aos 13 anos se mudou para o eterno rival Lazio, que é o clube conotado com os grupos de extrema direita devotos ao antigo ditador, que fazem parte das claques de apoio mais radicais.

Benito Mussolini liderou a Itália entre 1922 e 1943, tendo durante a Segunda Guerra Mundial sido aliado na Alemanha Nazi de Adolf Hitler. Aliás, os dois ditadores tinham políticas muito semelhantes como a promoção da superioridade racial, xenofobia e imperialismo.

Alessandra Mussolini já veio dizer que o filho está apenas focado em ser jogador de futebol e não quer saber nada de política. "O meu filho não quer interferência nas duas escolhas ou na sua vida privada", afirmou a antiga eurodeputada à agência de notícias Adnkronos.

Romano é tido como uma grande esperança da Lazio e o seu treinador Mauro Binachessi já veio inclusive assegurar que o seu sobrenome nada tem a ver com a sua progressão nos escalões jovens do clube, uma vez que tem sido o seu talento a ditar as escolhas dos treinadores. "Trata-se de um jovem humilde, que nunca se queixa, bem mesmo quando esteve dois anos sem jogar. Gosto dele, trata-se de um jogador muito promissor", assegurou Binachessi ao jornal La Repubblica, recusando a ideia de que o apelido Mussolini seja pesado: "Nunca falei com os pais sobre isso, a única coisa que nos importa é se merece jogar. Nada mais do que isso."

Ainda assim, há alguma preocupação entre os responsáveis da Lazio sobre a possibilidade de Romano poder utilizar o apelido Mussolini na camisola do clube, no caso de ele ser promovido à equipa profissional, uma vez que esse facto poderá torná-lo um símbolo dos grupos de extrema direita que integram as claques do emblema da capital italiana.

Recorde-se que em 2018, a Lazio foi multada em 50 mil euros pela federação italiana porque alguns desses adeptos terem exibido, no Estádio Olímpico, tarjas estampadas com a fotografia de Anne Frank, jovem judia assassinada no holocausto, com a camisola da rival Roma vestida. Apesar de ter dito que tinha tomado medidas contra os protagonistas do incidente, a direção dos laziale não escaparam à pesada multa, ainda que no jogo seguinte os seus jogadores tenham entrado em campo com camisolas com a imagem de Anne Frank e com a frase "Não ao antissemitismo".

Mas este não foi caso único, pois em 2005 o futebolista Paolo Di Canio foi multado em 10 mil euros pela liga italiana por ter feito a saudação fascista num jogo em que a Lazio venceu a Roma.

Refira-se que o jovem futebolista da Lazio tem o mesmo nome do avô materno, Romano Mussolini, que foi o quarto filho do ditador também conhecido com "Il Duce" (O Líder, na tradução para português). Em 1962, Romano Mussolini casou-se com Maria Scicolone, a irmã mais nova da atriz Sophia Loren, união da qual nasceu Alessandra Mussolini, que em 2003 fundou e liderou o partido de extrema-direita Alternativa Sociale, extinto em 2009.

Agora, Romano Floriani Mussolini procura seguir o seu caminho no desporto, tendo já feito saber à imprensa italiana que a política não lhe interessa e está apenas focado em jogar futebol. "Na Lazio sou julgado unicamente por aquilo que jogo e não porque o meu sobrenome é Mussolini", disse o jovem atleta, citado pela imprensa italiana.

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