Rui Vitória pede mais rigor e bom senso nas decisões do VAR

O treinador encarnado diz que os árbitros não se podem escudar no protocolo do videoárbitro. E apelou a que se consulte mais vezes o monitor, pois não é aí que se perde tempo

Rui Vitória pediu ontem um "rigor enorme" e "maior bom senso" por parte dos árbitros e videoárbitros (VAR) nas decisões que tomam. O treinador do Benfica foi desafiado a comentar as polémicas em torno dos jogos do Sporting em Tondela e do FC Porto no Estoril, que levaram alguns vice-presidentes das águias a catalogar esta semana como "negra". O técnico avisou que não ia criticar a arbitragem, mas sim expor "uma visão construtiva" para o futebol português. "Foi por isso que fui à reunião sobre o videoárbitro e não mandei um dos meus assistentes", frisou.

"É fundamental os árbitros terem consciência das decisões que tomam, pois o que acontece em dois minutos tem consequências para muita gente", começou por dizer, admitindo que a última semana foi "conturbada". Rui Vitória deu como exemplo as equipas do fundo da tabela: "No ano passado, o Arouca desceu de divisão por um golo e um ponto pode separar quem desce e quem não desce. Parece-me que algumas decisões têm sido tomadas, não direi com negligência, mas com alguma leviandade."

O treinador do Benfica, embalado pelo seu discurso, aproveitou para fazer reparos ao trabalho dos videoárbitros. "Andamos todos agarrados ao VAR, mas quem está em casa não percebe porque um árbitro fechado numa sala, com um assistente ao lado e com vários monitores, não toma determinadas decisões, escudando-se no protocolo", adiantou, deixando um apelo: "A arbitragem precisa de bom senso. É preciso ir mais vezes aos monitores, já não faz sentido falar em dores de crescimento do VAR. É preciso tomar medidas. Por certo que a UEFA ficaria contente se mudássemos a estratégia consoante os erros, em vez de andarmos todos aqui a dizer "seja o que Deus quiser"."

O impacto das decisões no desenrolar da competição preocupam Rui Vitória, lembrando que "um clube que descer de divisão pode ir quase à falência", indicando também que "há treinadores e jogadores que podem ser facilmente despedidos" devido a esses erros, razão pela qual apela a "uma reflexão de todos". "O protocolo diz uma série de coisas, mas é preciso bom senso. Se o meu ponta-de--lança falha um golo de baliza aberta, prejudica-se a ele e à equipa. Se o árbitro falha, prejudica-se a ele também mas a muita gente à volta", frisou.

O argumento do tempo que se gasta em consultar os monitores nos estádios é algo que Rui Vitória não admite e explica porquê: "Quisemos ser iluminados e pioneiros no VAR mas, por exemplo, em Itália, o tempo médio de jogo é 58 minutos, aqui é apenas 49 minutos. E o tempo que se perde a consultar o VAR é mínimo, perde-se mais tempo a festejar um golo, nos pontapés de baliza, nas faltas e nos cartões."

Questionado sobre se se sentia mais prejudicado nesta fase da época, Rui Vitória garantiu que não era esse o propósito que o levava a falar. "Umas vezes sou prejudicado, outras beneficiado, mas até estou a falar das equipas que lutam pela manutenção."

Uma batalha em Paços

Rui Vitória considerou que o jogo desta noite em Paços de Ferreira "é mais uma batalha para vencer", frente a "uma equipa que precisa de pontos" e que, por isso, obriga o Benfica a "jogar com determinação", até porque os pacenses "têm boas ideias transmitidas pelo seu novo treinador". Sobre o facto de o FC Porto ter aumentado a vantagem para cinco pontos, o treinador encarnado voltou a dizer que "o Benfica tem de fazer o seu trabalho", admitindo que nesta fase da época "há uma evolução" no rendimento da sua equipa, que justifica com as "melhores dinâmicas coletivas, entre outras variáveis".

João Henriques, treinador do P. Ferreira, assumiu que a sua equipa "tem as suas hipóteses de vencer", mas lembrou que "a responsabilidade está do lado do Benfica".

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