Pizzi ultrapassou o desgaste e está a renascer com a equipa

"Já estava na hora de ele aparecer", desabafou João Alves ao DN, que concorda com Vítor Paneira sobre o facto de o médio ter sido vítima do grande desgaste da época passada

Dois golos e uma assistência em Tondela colocaram Pizzi num patamar raramente visto nesta época e que há muito o treinador Rui Vitória e os próprios adeptos ansiavam. Será motivo para dizer que o maestro do Benfica está de volta?

João Alves, patrão do meio-campo encarnado na década de 80, deixou mesmo um desabafo ao DN. "Já estava na hora de ele reaparecer", atira, num misto de alívio e felicidade, tão importante foi o médio transmontano na conquista dos três últimos títulos de campeão nacional. "São fases que os jogadores passam, que, muitas vezes, têm que ver com crises de confiança", acrescenta o Luvas Pretas, recordando que o médio "vem de uma grande época, no ano passado, que foi muito desgastante".

Essa ideia é partilhada por Vítor Paneira, que "já tinha notado melhorias substanciais no jogo com o Rio Ave", no qual o Benfica foi eliminado da Taça de Portugal. O antigo extremo recorda que, no sistema de 4x4x2, "Pizzi desgastou-se muito a fazer a ligação do jogo da equipa", razão pela qual admite que a mudança operada por Rui Vitória para o 4x3x3 poderá ter trazido benefícios para o médio, mas também para a equipa. "Agora, ele reparte as funções com Krovinovic, que é um jogador de muita qualidade, e isso torna-o melhor", destaca Paneira, adiantando que "os dois golos e a assistência" em Tondela não são obra do acaso.

Ainda assim, considera que o problema que o Benfica vinha evidenciando era "a ausência de dinâmica" do 4x3x3, que "agora começa a estar cimentado, depois de ter passado muitos anos a jogar em 4x4x2". Ou seja, Vítor Paneira acredita que "com Krovinovic e Pizzi no meio, com o apoio dos alas e com Jonas a baixar e a abrir espaços, o Benfica terá um futebol de posse e criatividade que vai provocar um desgaste extraordinário aos adversários".

Rendimento da equipa não ajudou

João Alves faz questão de sublinhar a enorme importância que Pizzi tem na equipa de Rui Vitória, pois "dos jogadores de meio-campo é aquele que tem mais golos e isso torna-o superimportante, pois tem um bom remate de meia distância e aparece bem na área". E essas qualidades, na opinião do antigo futebolista, só poderiam voltar a destacar-se após "alguns acertos". "Entraram muitos jogadores que demoraram a aparecer, como é normal", recorda, relacionando o abaixamento de forma de Pizzi nesta temporada com o de outros jogadores da equipa: "O Fejsa, por exemplo, ainda não apareceu neste ano na forma que exibiu na época passada."

Vítor Paneira também liga o menor rendimento do número 21 das águias "à menor produção" futebolística do Benfica, pois "o coletivo não era forte e estava a viver das individualidades", algo que considera estar a inverter-se neste momento: "Agora é uma equipa mais forte coletivamente e nas suas dinâmicas e isso favorece o rendimento de Pizzi."

Os dois golos de Pizzi em Tondela foram os primeiros de uma época em que totaliza 26 jogos, ou seja, esteve em todas as partidas oficiais disputadas pelos encarnados. Apesar da intermitência exibicional, Pizzi contabiliza cinco assistências para golo no campeonato, ainda assim não está longe do seu registo nas três edições da Liga anteriores, pois em 2014-15 e 2015-16 contabilizou sete e na temporada passada chegou aos oito passes para golo dos companheiros.

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