Pizzi foi animador do passeio em Tondela que tirou as águias da depressão pós-Taça

Benfica respondeu com uma goleada à tristeza da eliminação em Vila do Conde. Os tetracampeões fizeram uma primeira parte a todo o gás e deixaram os tondelenses atordoados. Jonas bisou e consolidou a liderança dos marcadores

O Benfica respondeu à tristeza da eliminação da Taça de Portugal, a meio da semana em Vila do Conde, com uma goleada de 5-1 em Tondela, em jogo da 15.ª jornada da Liga. Um resultado que coloca os tetracampeões nacionais em igualdade pontual com o FC Porto, que só hoje entra em campo, e a três pontos do Sporting, precisamente o próximo adversário, no início de 2018.

Rui Vitória tinha dito na véspera que os seus jogadores tinham uma revolta interior muito grande para este jogo e a verdade é que responderam da melhor forma: arregaçaram as mangas e jogaram com cabeça, imaginação e empenho, o que permitiu cedo aniquilar um Tondela que espreitava a possibilidade de ter pela frente um adversário nervoso e, talvez, cansado pelos 120 minutos que jogou na quarta--feira.

É certo que nos primeiros dez minutos a equipa treinada por Pepa fez tudo para intranquilizar o Benfica, procurando explorar a velocidade de Murilo Freitas na direita, que podia beneficiar de alguma inibição de André Almeida, que se visse cartão amarelo ficava de fora do dérbi com o Sporting. Só que os encarnados depressa conseguiram travar esse atrevimento dos beirões, dando o primeiro aviso com um remate perigoso de Salvio.

Não demorou muito a que o Benfica abrisse o marcador por Piz-zi, que respondeu a um cruzamento de André Almeida, confirmando as grandes dificuldades do meio-campo do Tondela em suster as triangulações dos jogadores mais criativos de Rui Vitória. Franco Cervi, Krovinovic, Pizzi e Salvio confundiam marcações, abriam espaços para a entrada dos laterais e as movimentações de Jonas iludiam os centrais e faziam que os médios pudessem entrar na área com perigo. Foi numa jogada bem delineada, iniciada por Pizzi, que Grimaldo descobriu a cabeça de Salvio para o segundo golo.

Pela primeira vez nesta época, os encarnados marcavam por duas vezes numa primeira parte. Mas não ficavam por aqui: em cima do intervalo, um passe magnífico de Salvio permitiu a Pizzi bisar.

Jonas a bisar após a tremideira

Sem nada a perder, Pepa resolveu colocar mais um avançado (Heliardo) para a segunda parte, tirando o médio Claude Gonçalves. E o certo é que o Benfica revelou os sintomas que tantas vezes nesta época tem evidenciado quando regressa do intervalo - "desequilíbrio mental", diz Rui Vitória. O Tondela surgiu mais agressivo e a organização defensiva encarnada ficou instável, algo inexplicável para uma equipa que tinha uma vantagem tão confortável. Valeu então Bruno Varela a evitar males maiores.

Foi já quando os encarnados tinham estabilizado e voltado a assumir o controlo absoluto da partida que entrou em cena Jonas, a concluir um canto ensaiado, abrindo a sua conta pessoal. Se aquela reação do Tondela já tinha sido anulada, o quarto golo abateu por completo a equipa de Pepa, que curiosamente ainda chegou ao golo aproveitando um mau passe de Krovinovic. Mas Jonas lá apareceu de novo, a encostar mais um lance de entendimento entre Salvio e Pizzi, atingindo o 18.º golo na Liga, que o coloca ainda mais confortável na liderança dos melhores marcadores. Este quinto golo permitiu ainda ao Benfica tornar-se o melhor ataque da Liga, com 37 golos, embora o FC Porto (36) só jogue hoje.

Num jogo que foi um autêntico passeio em Tondela, o Benfica afugentou as nuvens negras e deu um sinal de que irá continuar a lutar pelo grande objetivo da época: o inédito penta. Quando o campeonato regressar, a 3 de janeiro, com o dérbi com o Sporting, na Luz, terá de provar que está bem vivo nessa luta.

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