Jorge Jesus: "Tenho sempre a mala feita"

Técnico do Benfica admite que está em "estado de graça", mas reconhece que aos primeiros maus resultados será alvo de contestação. Jorge Jesus diz estar consciente do seu valor como treinador.

O treinador do Benfica, Jorge Jesus, assumiu nesta sexta-feira a vontade de vencer a Liga Europa, na quarta-feira, frente ao Sevilha, mas, caso conquiste o troféu, ao contrário do técnico espanhol, escusa-se a dançar.

"Não vou dançar, não sei, zero. Se sairmos vencedores vou comemorar com os meus jogadores, com os adeptos e, depois, com os meus amigos", afirmou Jorge Jesus, em conferência de imprensa, integrada no dia aberto à comunicação dos "encarnados" , no âmbito da presença do Benfica na final de Turim.

O treinador do Benfica prometeu ser mais comedido nos festejos do que o seu homólogo do Sevilha, Unai Emery, que, em entrevista à rádio do clube andaluz, revelou a vontade de "cantar sevilhanas" e "cometer alguns excessos", caso conquiste a Liga Europa.

Jorge Jesus manifestou-se pragmático na antevisão à final, excluindo qualquer influência externa.

"Não sou supersticioso. Eu acredito no valor das pessoas, na qualidade do trabalho. Acredito que nem sempre o melhor vence numa final, mas também acredito que podemos ser melhores do que o Sevilha e sairmos vencedores desta final. O Benfica está a fazer história", afirmou Jesus, quando questionado sobre as palavras do húngaro Béla Guttmann, antigo timoneiro "encarnado", que disse que o Benfica jamais ganharia uma Taça dos Campeões Europeus sem ele - mas isto é a Liga Europa.

A vontade coletiva de alcançar um título europeu é semelhante à ambição individual, de acordo com Jesus, que considerou que a valorização de jogadores, técnicos e clubes é uma das vantagens de chegar a finais, juntamente com a maior experiência e o controlo emocional.

"As competições europeias, Liga Europa e Liga dos Campeões, são uma montra. E isso é um dos motivos para que o Benfica tenha vendido jogadores para as equipas com mais poder económico. Estamos sujeitos a isso, por isso, para mim, é tudo normal", referiu.

O técnico "encarnado" preferiu não comentar uma eventual saída do comando técnico dos "encarnados", recusando estar a viver um período de "estado de graça" à frente do Benfica, quando tem a possibilidade de juntar a Liga Europa e a Taça de Portugal às conquistas da I Liga e da Taça da Liga.

"Eu tenho sempre a mala feita, pela positiva e pela negativa. Tenho meu critério, sou muito convencido do meu valor. Escolhi uma profissão e não me iludo. Hoje estou em estado de graça, mas amanhã não estou e trabalho sempre com esta convicção", rematou Jesus.

Praticamente um ano depois de ter perdido a final da Liga Europa, em Amesterdão, na Holanda, frente ao Chelsea, o técnico "encarnado" reiterou a vontade de chegar ao troféu.

"Não só para o Benfica, este é um objetivo que eu e os jogadores temos. Gostaríamos poder dizer que vencemos uma Liga Europa, isso faz parte do currículo de um jogador e de um treinador, é para isso que trabalhamos, para nos valorizarmos em função da conquista. A Liga Europa é um objetivo que gostávamos, os adeptos também, quem é que não gostava, até trocava, por outra...", concluiu Jorge Jesus.

Benfica e Sevilha disputam a final da Liga Europa, no Juventus Stadium, em Turim, em Itália, na quarta-feira, a partir das 19:45, sob arbitragem do alemão Felix Brych.

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