"Um ladrão não deixa de ser ladrão por ir ao Papa"

Presidente do Benfica reagiu aos incidentes no Dragão Caixa para lançar uma das maiores críticas de que há memória ao FC Porto, dizendo que o sucesso dos dragões tem como base a corrupção e a mentira.

Luís Filipe Vieira foi ao ataque e reagiu com diversas críticas ao FC Porto, na sequência de os dragões se terem queixado do comportamento dos responsáveis encarnados no Dragão Caixa, após o jogo onde o Benfica se sagrou campeão nacional de basquetebol.

"O que ontem se passou no Dragão é uma vergonha para o desporto, para o país, uma vergonha para as instituições desportivas. Só não é uma vergonha para quem não tem, nem nunca teve vergonha na cara. O que alguns fizeram ontem, mas também na véspera do jogo, foi demasiado grave para ficar impune. E ainda têm a lata de falar de apagões? Quando a sua história foi marcada por fruta, corrupção e compadrio? Têm a lata de falar de verdade desportiva quando o seu sucesso foi construído com base na maior mentira do desporto português?", questionou o dirigente encarnado, numa cerimónia em que o clube recebeu a equipa de basquetebol.

As críticas foram mais longe: "O sistema ainda não acabou. O sistema de hoje continua construído na intimidação, na violência, nos favores. As nossas razões podem não chegar à UEFA, como não chegaram as 'escutas da fruta', como não chegaram para a justiça portuguesa as 'escutas do café com leite'. Mas nós não vamos parar enquanto não limparmos o desporto português. Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que acreditam que isto nunca vai mudar, os que acreditam que a impunidade vai durar para sempre."

"Mas será que alguns dirigentes deste país só gostam da atuação da polícia quando esta os avisa que têm de fugir para não serem presos? Na vida como nos livros: um ladrão não deixa de ser ladrão por declamar poesia, um ladrão não deixa de ser ladrão por ir ao Papa. Um fugitivo da justiça não o deixa de ser apenas porque alguns juízes decidiram assobiar para o lado!", acrescentou Vieira.

"Alguns muros já caíram, mas não vou descansar enquanto houver árbitros, delegados e dirigentes que tenham medo, que se sintam condicionados por ameaças e represálias. Não vou descansar enquanto algumas federações continuarem a ter medo de agir com liberdade", realçou Vieira. Por fim, o presidente agradeceu a "Carlos Lisboa e toda a equipa pela forma como lutaram durante o jogo e pela forma como souberam sofrer depois do jogo."

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