"Um grupo de arruaceiros incendiou-nos o estádio e não cortámos relações com ninguém"

Vieira revela que já tinha sido aberta uma investigação para descobrir quem exibiu a tarja que motivou o corte de relações por parte do Sporting. Duras críticas a Bruno de Carvalho marcam discurso.

Luís Filipe Vieira revelou, nesta sexta-feira, à margem da inauguração das novas instalações da Casa do Benfica em Leiria, que já foi aberta uma investigação de modo a apurar quem foi o responsável pela exibição da polémica tarja que levou a que o Sporting decidisse cortar relações com o rival da Luz.

"Em relação à tarja do nosso pavilhão: é lamentável. É injustificável. Há um processo de investigação em curso para apurar quem foi o responsável. Não há conivência da direção do Benfica com gestos desta gravidade, mesmo havendo antecedentes e provocações. Nada justifica aquela tarja. Lamento o que sucedeu", disse o presidente do Benfica, no seu discurso, a propósito da tarja "Very Light 1996", que recordou a morte de um adepto do Sporting na final da Taça de Portugal de 1996, após um very light ter sido lançado por um adepto do Benfica.

Luís Filipe Vieira procedeu, depois, a duríssimas críticas a Bruno de Carvalho, embora recorde um célebre episódio ocorrido sob a presidência de Godinho Lopes. "Já sei que vão aparecer alguns a dizer que passaram seis dias. Passaram mais de três anos depois do incêndio da Luz e ainda ninguém do Sporting repudiou ou lamentou aquele triste incidente", condenou o presidente do Benfica.

"Para que fique bem claro para todos: no sábado, depois de ver a tarja e depois de perceber o que lá estava escrito, pedi ao nosso diretor de segurança que fosse retirada. Foi entendimento da PSP e do nosso diretor de segurança que ter uma intervenção imediata para retirar a tarja poderia provocar problemas de segurança bem maiores, não apenas na zona da tarja, mas em todo o pavilhão. A tarja está na posse das autoridades e há um processo de investigação a decorrer. Será que podem dizer o mesmo das tarjas de Alvalade?", questionou o presidente do Benfica.

No entendimento de Vieira, "o Sporting não cortou relações por causa da tarja", tendo esta sido um "instrumento usado" como desculpa. "E as tarjas de Alvalade? Alguém pode explicar? Foram ou não pintadas na garagem do estádio? Foram ou não preparadas nas instalações do Estádio de Alvalade? E as camisolas da Juve Leo não merecem condenação? Não foram essas camisolas o rastilho de tudo isto? Ou será que querem branquear uma parte da história deste fim-de-semana?", voltou a questionar.

O presidente do Benfica prosseguiu, sem referir o nome de Bruno de Carvalho e reivindicando o respeito pelo Sporting. "Para mim, o Sporting é um clube que merece todo o respeito. Por isso é que o Sporting, quando vai jogar à Luz, é tratado pelo nome. É Sporting, não é visitante. É Sporting, não temos esses complexos e não copiamos ninguém!", vincou. "Quando os dirigentes do Sporting vêm à tribuna presidencial do nosso estádio são bem recebidos, ninguém lhes diz que são 'personas non gratas'. São tratados com a dignidade e o respeito que merecem", prosseguiu.

Luís Filipe Vieira voltou a condenar a violência e as provocações nos estádios portugueses, deixando nova indireta a Bruno de Carvalho. "A violência é um problema sério. É um problema de todos, mas a violência não se resolve com demagogia! As tarjas, as tochas na bancada e no relvado, são um problema que devia ter sido resolvido em dois sítios: na Liga e na polícia. Não no Facebook, em comunicados, em propaganda!", criticou.

Bruno de Carvalho foi, posteriormente, o foco de mais uma série de críticas endereçadas por Luís Filipe Vieira. "Não corto relações com outros clubes por mera gestão de autoridade interna, nem processo sócios do Benfica apenas porque discordam de mim", atirou. "Não digo que a bandeira nacional, símbolo do país, tem verde a mais!", continuou, lembrando o episódio de "uma suposta conversa telefónica que nunca houve" e sugerindo que Abel Ferreira terá mesmo sido dispensado por Bruno de Carvalho. "Quando dispenso um treinador, assumo, não me escondo!"

No encerramento do seu discurso, Vieira recordou o incêndio no Estádio da Luz. "Em novembro de 2011, um grupo de arruaceiros incendiou-nos o estádio. Não cortámos relações com ninguém, porque o clube não pode ser gerido por impulso, tem de ser gerido com responsabilidade, não pode ser gerido com a sensibilidade e o querer de um adepto de bancada. Desde novembro de 2011, ninguém do Sporting lamentou ou pediu desculpas pelo ato. Não foi por isso que cortámos relações. Não foi por isso que pus em causa o repúdio e a discordância daquele ato por parte do presidente Godinho Lopes!", atirou.

Por fim, Vieira concluiu: "Por mim, este assunto acaba aqui. O Sporting enquanto instituição merece respeito, e tem o respeito do Benfica, mas as pessoas que dirigem as instituições também devem ser responsáveis pelos seus atos e pelas suas atitudes."

Resta saber se o Sporting, após o corte de relações declarado em Alvalade, irá responder às palavras de Luís Filipe Vieira.

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