Suecos só vingaram no Benfica

Eriksson revolucionou o futebol dos  encarnados e soube tirar o melhor partido de três compatriotas que deixaram marcas na Luz. No  FC Porto e Sporting os suecos não se impuseram

Stromberg, Jonas Thern, Stefan Schwarz, Magnusson. Houve tempos (década de 80 e início da de 90) em que a Suécia se tornou uma espécie de segunda pátria do Benfica - o Brasil foi e continua a ser primeira. E o mercado sueco foi um dos que melhores frutos deu nas bandas da Luz. Já o FC Porto e Sporting, que também experimentaram a força física dos suecos, não guardam grandes recordações. Os leões Farnerud (médio ofensivo), Eskilsson (avançado), os portistas Fredrik Soderstrom (médio) e Lars Eriksson (guarda-redes) não conseguiram vingaram em Portugal. Martin Pringle foi o último e único sueco do Benfica, que não justificou a contratação.

"Não foi uma questão de sorte. Trabalhávamos com um empresário sueco que nos dava alguns indicações e depois fazíamos um acompanhamento rigoroso do jogador no local. Quando Eriksson regressou a Portugal, já estavam no Benfica Thern e Magnusson", recordou ao DN Gaspar Ramos, o então responsável pelo departamento de futebol dos encarnados, que diz só guardar boas recordações dos futebolistas suecos. "Eram excelentes profissionais, adaptaram-se muito bem ao clube e a Portugal. Sempre cumpriram o que lhes era pedido e não me recordo de qualquer problema disciplinar".

O recurso do Benfica ao mercado nórdico começou em meados de 80 quando o "filão brasileiro ficou demasiado caro", começou por explicar Gaspar Ramos, adiantando que o objectivo era dar maior agressividade à equipa. "Em 1987 foi necessário refazer a equipa do Benfica. Humberto Coelho, Bento, Alves, Shéu estavam em final de carreira. Não podíamos perder qualidade. Foi então que se deu a aposta nos suecos. Queríamos criar uma mescla entre o habilidoso futebol brasileiro e o poder físico nórdico. Isso foi conseguido com Thern, Schwarz e Magnusson. Deram mais agressividade ao nosso futebol, tinham grande capacidade física, poder de remate e um excelente rigor táctico", salienta o antigo dirigente, que considera que neste momento não há tanta qualidade como antes no futebol sueco e os que são mesmo bons custam o que futebol português não pode pagar.

O alto rendimento que os encarnados conseguiram dos suecos em muito se deve à influência de Sven-Goran Eriksson. Inteligente, e tacticamente evoluído, este técnico revolucionou o futebol do Benfica, apostando num esquema de três defesas, cinco médios e dois avançados. Era apologista do método e do trabalho." Sem sacrifício não se conseguem resultados" ou "Quem quer ser grande na Europa não pode pensar como um pequenino", são algumas das suas frases reveladoras do seu estilo. Chegou à Luz, em 82 e nessa época sagrou-se campeão nacional, venceu a Taça de Portugal e chegou à final da Taça UEFA. Em 83/84 assegurou mais um título e rumou para Itália, para liderar a Roma. Regressou ao Benfica cinco anos depois, e em 90, conduziu o Benfica à final da Taça dos Campeões Europeus.

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