Rúben Dias tem "futuro brilhante" e o "caminho aberto" para a seleção nacional

Antigos centrais Eurico Gomes e Paulo Madeira acreditam que a convocatória de Fernando Santos surgirá naturalmente, pois não encontram outro defesa com tanta qualidade

Rúben Dias está preparado para assumir um lugar na convocatória de Fernando Santos para os jogos particulares com o Egito e a Holanda, marcados para os dias 23 e 26 de março, respetivamente. Essa é a ideia transmitida ao DN por dois antigos defesas-centrais internacionais portugueses, que olham para o jovem de 20 anos do Benfica como o futuro do futebol nacional, numa posição em que as principais referências já ultrapassaram os 30 anos e aproximam-se do final de carreira.

Eurico Gomes, antigo central que representou os três grandes, assume que "Rúben Dias tem o caminho aberto para um futuro brilhante", mas adverte que o defesa precisa de lidar com o atual momento "sem ansiedade e precipitação" porque defende que a sua chegada à seleção "irá acontecer naturalmente".

Paulo Madeira, ex-capitão do Benfica, concorda com esta ideia, até porque "com o trabalho que tem feito e pela forma como tem agarrado as oportunidades, com unhas e dentes, mais cedo ou mais tarde irá chegar à seleção".

Os dois antigos futebolistas consideram que não há muitos defesas-centrais portugueses com o potencial que Rúben Dias tem demonstrado. Eurico destaca-lhe "a atenção ao jogo e a concentração no trabalho ao serviço da equipa", acrescentando que se trata de um jogador que "está sempre atento aos movimentos dos adversários". Paulo Madeira não está surpreendido com a evolução do miúdo formado no Seixal. "Já quando ele jogava pela equipa B do Benfica eu dizia que ia dar que falar, pois para além das qualidades como central há um aspeto que sobressai que é a liderança em campo", sublinha, considerando ainda que se trata de um central que "tem um pouco de tudo", embora destaque "o porte físico, a rapidez e a concentração", sublinhando ainda "a evolução que tem demonstrado no jogo de cabeça, que o tem levado a fazer golos".

Enquanto jogou na equipa B do Benfica, Rúben Dias não marcou qualquer golo na II Liga, algo que mudou nesta temporada de estreia na equipa principal, pois já contabiliza três cabeceamentos certeiros: um na Taça da Liga em Setúbal e dois na I Liga alcançados nos dois últimos jogos em casa, com o Rio Ave e o Boavista. Este registo coloca-o como um dos defesas-centrais portugueses que mais golos marcaram numa época de estreia pelo Benfica, juntando-se a Hélder Cristóvão (seu ex-treinador na equipa B) e ao histórico Germano, bicampeão europeu pelos encarnados em 1961 e 1962. E ainda tem onze jogos para superar a marca.

Faz esquecer Lindelöf e... Luisão

Eurico Gomes destaca ainda o facto de Rúben Dias "tanto poder jogar como central de marcação ou mais livre", razão pela qual "se não tiver lesões" e "continuar a aprender e a progredir" será um jogador "muito cobiçado e o Benfica não terá capacidade de segurá-lo por muito tempo". E, nesse sentido, assume que "num campeonato mais competitivo poderá melhorar as suas qualidades, algo que em Portugal é mais complicado porque o campeonato é muito pobre". O defesa que brilhou nos relvados portugueses na década de 80, lembra que na Luz "já ninguém se lembra de Lindelöf, que era o titular na época passada". Em jeito de comparação, Eurico encontra poucas diferenças: "O Rúben Dias é mais robusto, enquanto o Lindelöf é mais resistente no contacto." E deixa um lamento: "É pena o Lindelöf ser sueco, porque a nossa seleção teria centrais para muitos anos."

Paulo Madeira vai mais longe, destacando que "Rúben Dias tem feito esquecer... Luisão, que é um exemplo como jogador e capitão que o pode estar a ajudar muito nesta fase". Aliás, o antigo capitão dos encarnados sublinha "a grande capacidade de liderança" do internacional sub-21, que "é algo que não se adquire, que nasce com as pessoas", razão pela qual acredita que Rúben Dias poderá vir a ser, "de forma natural, o capitão do Benfica e até da seleção nacional".

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Anselmo Borges

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