Paulo Gonçalves em liberdade proibido de contactar com os outros arguidos

O Tribunal de Instrução Criminal já decretou as medidas de coação no âmbito do caso e-toupeira. José Silva fica em prisão preventiva, medida que o seu advogado considerou excessiva

Paulo Gonçalves, assessor jurídico da SAD do Benfica, saiu em liberdade mas fica impedido de contactar com os outros arguidos, enquanto José Silva, técnico de informática do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça, fica em prisão preventiva.

Os dois arguidos, que foram detidos na terça-feira, foram presentes à juíza Cláudia Pina, do Tribunal de Instrução Criminal, no Campus da Justiça, tendo ambos se remetido ao silêncio durante o interrogatório.

O assessor dos encarnados, de 48 anos, é suspeito de ter subornado três funcionários judiciais para obter informações processuais sobre o denominado caso dos e-mails, sendo por isso indiciado por um crime de corrupção ativa e quatro crimes de violação do segredo de justiça em co-autoria.

José Silva está indiciado por um crime de corrupção ativa, quatro crimes de violação de segredo de justiça, um crime de falsidade informática e nove crimes de acesso ilegítimo e burla informática.

Carlos Pinto de Abreu, advogado de Paulo Gonçalves, não fez declarações à saída do Campus de Justiça. Já Paulo Gomes, defensor de José Silva, anunciou que vai recorrer das medidas de coação por a considerar "excessiva". "Neste país há pessoas que recebem milhões por corrupção e andam a passear-se na rua. E este senhor vai para a cadeia por receber meia dúzia de bilhetes e uma camisola e não como contrapartida de corrupção. A medida foi mais gravosa por se tratar de um funcionário do Ministério da Justiça", referiu, confirmando que neste processo existiram "vigilâncias e escutas telefónicas"

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