Águias sem talento para voar ao nível do Arsenal

Encarnados até deram uma boa resposta do ponto de vista ofensivo, sobretudo na primeira parte, mas jogo de ontem provou que o campeão nacional tem de atacar o mercado

O Benfica foi ontem novamente goleado nesta pré-temporada, desta feita pelo Arsenal, no primeiro jogo da Emirates Cup. Foram cinco os golos que os pupilos de Rui Vitória voltaram a sofrer, provando-se que o Benfica precisa urgentemente de mais reforços para a defesa.

Foi o quinto jogo de pré-temporada que o campeão nacional já realizou. Até ao momento foram 12 os golos sofridos e ontem foi o segundo jogo em que os encarnados sofreram cinco numa só partida (perderam por 5-1 na Suíça com o Young Boys). Ontem, e apesar de na primeira parte as dificuldades defensivas terem sido um pouco disfarçadas com o bom jogo ofensivo dos encarnados, a verdade é que ficou provado que o tetracampeão precisa de reforços, nomeadamente para o lado direito e também na zona central.

Com as saídas de Lindelöf e Nélson Semedo, Rui Vitória ainda não conseguiu encontrar soluções à altura. O jovem Buta teve ontem um grande teste e a verdade é que não o passou. Até foi ele a iniciar a jogada que deu o primeiro golo da partida, de Cervi, mas depois sentiu sempre muitas dificuldades perante o veloz e talentoso Kolasinac.

No centro da defesa Jardel e Luisão voltaram a fazer dupla, mas esta não é a mesma de há duas temporadas, que tantas alegrias deus aos adeptos. Mais lentos (o capitão conta já 36 anos e o compatriota 31), deram muito espaço no centro, sobretudo a Giroud, e nem Lisandro López, que entrou no segundo tempo para o lugar de Jardel, deu maior confiança.

Mas nem tudo foi negativo. É verdade que Rui Vitória tem muitas dores de cabeça com a sua defesa, até porque falta apenas uma semana para o primeiro jogo oficial da temporada, dia 5, quando o Benfica defrontar o V. Guimarães para a Supertaça, mas no ataque há razões para o técnico estar satisfeito.
Jonas e Seferovic ontem não marcaram, mas continuam a revelar muito entrosamento, ainda que o suíço tenha estado mais apagado que o normal. O brasileiro, esse, conseguiu, aos poucos, deliciar os emigrantes, sobretudo aos 12", quando de costas conseguiu assistir, de cabeça, Cervi na perfeição para o primeiro golo da partida.

O Benfica ofensivamente jogava bem, com Salvio em plano de destaque e ainda Pizzi a comandar as tropas do meio-campo para a frente e Ospina teve sempre muito trabalho.

Lá atrás, contudo, é que as coisas não corriam bem, sempre pelo lado esquerdo do ataque do Arsenal. Em oito minutos os gunners deram a volta ao marcador, aos 24" e 32", com Kolasinac a encontrar sempre espaço para cruzar para o internacional inglês, que no centro da área apareceu sozinho.

Os erros defensivos eram demasiados, mas a resposta encarnada no ataque como que disfarçava esses mesmos erros. Salvio, aos 39", haveria de voltar a equilibrar as contas, num remate dentro da área sem hipóteses para Ospina. O pior, no entanto, estava reservado para os segundos 45 minutos.

Já desgastados fisicamente, e perante um Arsenal de segunda linha mas com muitas pernas (média de 24 anos), a defesa das águias meteu água do princípio ao fim. Lisandro López faria um autogolo aos 52", com Giroud (64") e Iwobi (70") a materializarem o ascendente quando ainda faltavam 20 minutos para jogar.

Os erros eram quase sempre os mesmos. Buta sentia dificuldades na marcação, os colegas não ajudavam na direita da defesa e depois no centro também não havia coordenação. Em cinco golos, quatro tiveram sempre o mesmo guião; cruzamento da esquerda, falha na interceção e depois mais ao centro um jogador do Arsenal surgia sempre sem oposição.

Ao contrário do primeiro tempo, no entanto, desta feita as águias também nunca conseguiram responder no contra-ataque ou ataque planeado. As muitas alterações que Rui Vitória produziu também ajudam a explicar essa pouca iniciativa ofensiva.

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