Benfica entrou a dormir e só acordou a tempo de empatar

O Boavista teve 25 minutos de sonho liderados por Iuri Medeiros. Foi já com Mitroglou em campo que os encarnados chegaram ao empate, um mal menor para quem esteve a perder 3-0

O Benfica cedeu ontem um empate 3-3 com o Boavista no Estádio da Luz, quebrando uma série de seis vitórias consecutivas em todas as provas. A equipa de Rui Vitória bem se pode dar por satisfeita pelo ponto conquistado, pois aos 25 minutos perdia por impensáveis 3-0. Este resultado dá um novo fôlego ao FC Porto na luta pelo título, que pode hoje reduzir a desvantagem para quatro pontos quando estamos a meio do campeonato. Já o Sporting mantém-se a oito pontos, após ter empatado em Chaves.

O Boavista teve um início de jogo de sonho, aproveitando a letargia dos tricampeões nacionais, que entraram em campo lentos e talvez a pensar que, mais tarde ou mais cedo, o jogo se resolveria. A equipa de Miguel Leal procurava aproveitar as costas da defesa encarnada através de rápidos contra-ataques, onde sobressaiu o extremo Iuri Medeiros, um jogador de grande talento e que cabia perfeitamente no atual Sporting.

Rui Vitória surpreendeu nas opções que tomou no onze, ao deixar de fora Mitroglou, optando por um ataque inédito com Gonçalo Guedes e Jonas, colocando Rafa Silva à esquerda em vez de Franco Cervi. O Benfica ganhava mobilidade, é certo, mas perdia uma referência ofensiva, importante perante equipas que se fecham bastante, como seria o caso do Boavista.

Foi já depois de uma perdida de Guedes que os axadrezados ganharam vantagem no marcador: Iuri Medeiros tirou bem as medidas à baliza e bateu Ederson na cobrança de um livre direto. Um golo fantástico, que era o prenúncio para 25 minutos brilhantes.

Pouco depois o filme repetiu-se. Gonçalo Guedes falha o empate e, na resposta, outro livre de Iuri Medeiros colocou a bola na cabeça de Lucas Tagliapietra (que pareceu ter feito falta sobre André Almeida para marcar). A claque axadrezada ainda festejava o segundo golo quando apareceu o 3-0, por Schembri, a passe de Iuri, pois claro, embora o maltês se tenha feito à bola quando estava fora de jogo... não entendeu assim o árbitro.

Ansiedade após o empate

Rui Vitória desesperava perante a letargia dos seus jogadores. Naquela altura, a partida parecia perdida, pois era preciso o melhor Benfica para dar a volta a um resultado tão volumoso. O técnico encarnado lançou então Mitroglou (emendou o erro inicial) para o lugar de Rafa. A partir desse momento o volume de jogo ofensivo do Benfica aumentou, embora a vontade de fazer rápido e bem tornasse a tarefa boavisteira mais fácil para segurar o resultado.

Só que um erro de Lucas Tagliapietra permitiu a Salvio descobrir Mitroglou para o primeiro golo das águias. Voltava a esperança à Luz, que só não se tornou maior logo a seguir porque André Almeida perdeu uma grande oportunidade.

Ao intervalo, Rui Vitória arriscou com a entrada de Cervi para o lugar de Luisão, ficando André Almeida como central e o argentino a falso defesa esquerdo. O Benfica empurrou o Boavista para trás e os axadrezados defendiam como podiam, preenchendo os espaços à frente da baliza e dificultando o jogo interior do Benfica. Só que Cervi, numa jogada individual, acabou derrubado por Edu Machado, e Jonas reduziu para 2-3. Foi já com Zivkovic em campo que apareceu o empate, com o sérvio a cruzar para um autogolo de Fábio Espinho, que tentava ganhar o lance de cabeça a Jonas.

O mais difícil estava feito e ainda havia 22 minutos para jogar. Só que a partir desse momento a ansiedade tomou conta dos jogadores do Benfica, que passaram a não conseguir ligar as jogadas ofensivas. Até foi o Boavista a perder o 3-4, valendo uma grande defesa de Ederson perante Anderson Carvalho.

Após o apito final, Agayev foi o alvo da frustração dos encarnados, que se insurgiram contra o guarda--redes por passar os últimos minutos a queimar tempo.

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