Austrália proíbe visitas a favelas nos Jogos por questões de segurança

Tomada de posição do comité australiano, já tornada pública, foi já criticada pelo prefeito da cidade brasileira

Nem o vírus zika nem a alegada insegurança na zona de Copacabana, onde na semana passada foi morta uma turista argentina na praia, preocupam a delegação olímpica da Austrália, que marcará presença nos Jogos do próximo mês de agosto. A zona considerada a evitar no Rio de Janeiro são mesmo as famosas favelas. Aliás, será uma área proibida de frequentar pelos atletas daquele país da Oceânia.

"Estamos a adotar um protocolo em que não permitiremos que ninguém vá a passeios turísticos em determinadas zonas, como as favelas; serão área que não visitaremos", referiu Kity Chiller, chefe da missão da equipa australiana, salientando que a zona de Copacabana, apesar da recente morte de uma turista naquela área do Rio de Janeiro, não deverá ser uma das zonas vetadas aos atletas.

"Também falei com o nosso especialista de segurança sobre a situação da turista argentina que foi assassinada na praia de Copacabana e é outra situação que estamos a estudar, mas dificilmente será uma zona a evitar. Os nossos atletas certamente irão juntar-se aos moradores do Rio e vão aproveitar para se divertirem em Copacabana. As favelas é que são as áreas que não podemos controlar e a segurança dos nossos atletas está em primeiro lugar", disse, mostrando, ainda assim, confiança em que tudo correrá bem durante a competição.

"Nós amamos o Brasil e estamos ansiosos para compartilhar esta emoção com todos. O Rio de Janeiro teve um tremendo progresso na preparação para os Jogos e não temos dúvidas de que o Rio vai conseguir ter sucesso", salientou.

Alguns conselhos também já foram dados aos cerca de 450 atletas australianos que marcarão presença nos Jogos Olímpicos em agosto, entre os quais as mulheres nunca deverão passear sozinhas fora da vila olímpica, além de que aos atletas também é aconselhado que andem com uma nota de 10 dólares no bolso para o caso de terem de entregar algo a um eventual assaltante.

Quem não gostou da posição tomada por parte do Comité Olímpico da Austrália foi o prefeito (cargo homólogo a presidente de câmara em Portugal) do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, criticando a atitude australiana.

"Existe muita ignorância sobre o Rio de janeiro e o Brasil, além de uma certa dramatização de como as coisas são. Cá entre nós, o comité australiano tem sido fonte de agressões contra o Brasil. E a verdade é que todos nós amamos Sydney", referiu o autarca, salientando que o Rio de Janeiro está a fazer tudo para garantir segurança e conforto àqueles que estarão presentes nos Jogos Olímpicos.

"Penso que estamos a fazer um esforço grande para mostrar toda a nossa capacidade para uma competição deste nível. Pelos testes que temos feito tenho a certeza de que tudo irá correr bem e todas as pessoas vão sentir-se confortáveis no Rio de Janeiro. Será uma altura para festejar e celebrar", disse Eduardo Paes, referindo também que o vírus zika não irá afetar a realização dos Jogos de agosto.

"O zika é de facto um problema do momento. Tudo será potencializado, mas provavelmente esse stress será ainda substituído por outro que surgirá ainda antes do início da competição. Não quero minimizar o vírus, mas a verdade é que temos mais casos de dengue do que de zika. E mais, morre muito mais gente de gripe. Volto a dizer, será um problema ultrapassável", ressalvou o dirigente.

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