Argentina faz as contas ao que perderia sem o Mundial

Ausência de Messi e companhia na Rússia significaria o não encaixe de, no mínimo, 17 milhões de euros, relativos não só a prémios de desempenho como a verbas de patrocinadores

O que parecia impensável pode tornar-se realidade já na próxima madrugada. A Argentina, campeã mundial em 1978 e 1986 e presença assídua em Campeonatos do Mundo - falhou apenas quatro, o último dos quais em 1970 -, está em risco de não conseguir a qualificação para a competição que vai disputar-se em solo russo no próximo ano.

As contas desportivas (ver cenários e classificação) estão complicadas e as financeiras também poderão tornar-se um grande rombo para a Federação de futebol daquele país (AFA), caso se confirme o cenário mais negro. Os prémios monetários consoante o desempenho das 32 seleções só serão divulgados a seis meses do início da prova, mas calcula-se que, no mínimo, estariam logo em causa 10,65 milhões de euros: 2,13 milhões relativos ao apuramento e 8,52 milhões a uma eliminação logo na fase de grupos. Verba que poderá passar a 11 milhões em caso de eliminação nos oitavos (15,3 milhões nos quartos, 18,75 milhões para o quarto lugar), 21,3 milhões para o terceiro, 29,8 milhões para o finalista vencido ou 42,6 milhões para a seleção campeã do mundo - isto tendo em conta o aumento esperado de cerca de 20% relativamente aos prémios distribuídos pela FIFA no Mundial 2014.

Porém, não é apenas o prize money que está em causa, mas também os proveitos dos patrocinadores. De acordo com o portal argentino Mkt Registrado, a AFA tem sete sponsors de primeira linha, entre os quais a Adidas e a Coca-Cola, que injetam individualmente entre 850 mil e 1,7 milhões de euros por ano na casa-mãe do futebol albiceleste. Num nível mais baixo, existem contratos com outras tantas marcas, como a Powerade ou a Gillette, que rendem anualmente entre 426 mil e 682 mil euros cada. Embora os acordos não caduquem em caso de não apuramento, existem cláusulas e prémios por objetivos, o que poderá ter repercussões na duração dos vínculos e na diminuição substancial do cachê.

Tudo somado, segundo aquele site, significaria uma queda abrupta desde os 2850 metros de altitude de Quito - local do encontro diante do Equador (0.30 horas da próxima madrugada) - e o não encaixe de, pelo menos, cerca de 17 milhões de euros, entre prémios desportivos e contratos de patrocínio.

Perdas para Messi e indústria

Quem também poderá sentir na carteira é Lionel Messi, que segundo a Forbes encaixa anualmente perto de 24 milhões de euros em patrocínios, o que faz dele o terceiro desportista mais bem pago do mundo em 2017. E não menos sofreria o setor industrial argentino. Exemplos? No país, vendem-se em média 3,1 milhões de televisões por ano, um número que se esperaria que aumentasse nos meses anteriores ao Mundial. E consomem-se anualmente 41 litros de cerveja por pessoa, uma das bebidas de eleição dos adeptos na hora de assistir a um jogo de futebol em grupo.

Por outro lado, a Rússia também sentiria perdas: as agências de turismo especulam que 60 mil turistas argentinos teriam intenções de rumar ao país anfitrião do Mundial 2018, número que Peru, Paraguai, Chile, Colômbia ou Uruguai podem não conseguir igualar.

Brasileiros torcem... pelo Chile

Quem não se importaria de ver a Argentina e Messi fora do Mundial são os brasileiros, que nas redes sociais estão a lançar uma campanha insólita a pedir para que a seleção canarinha facilite diante do Chile e assim complique ainda mais as contas à rival Argentina. As hashtags #EntregaBrasil e #EntregaProChile transformam-se mesmo nos tópicos mais mencionados no Brasil durante o fim de semana. O escrete, recorde-se, nunca falhou um Campeonato do Mundo.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG