Após recorde no Tejo, McNamara quer voltar às ondas gigantes

Norte-americano estabeleceu ontem um possível recorde mundial: quatro quilómetros em cima de uma prancha, entre a Doca de Santo Amaro e a Torre de Belém. 50 anos não pesam

Garrett McNamara cumpriu meio século de vida no dia 10, mas os 50 anos não parecem pesar nas pernas e na cabeça do surfista norte--americano, que continua a procurar novos desafios e a estabelecer recordes do mundo.

Depois de em janeiro de 2013 ter batido a marca mundial que já lhe pertencia, ao surfar uma onda de 30 metros de altura na Nazaré, decidiu celebrar o redondo aniversário com mais um registo incrível, desta vez em comprimento. O desafio proposto para ontem foi percorrer uma onda de quatro quilómetros criada por uma embarcação no Tejo, entre a Doca de Santo Amaro e a Torre de Belém, um objetivo que levou 9 minutos e 40 segundos a concretizar, mas que foi plenamente cumprido.

"Eu não olhei para o relógio, então não fazia ideia quanto tempo faltava para chegar. As minhas pernas estavam a tremer, a onda quase parou por duas vezes e eu apenas queria fazê-la, superar o desafio e chegar ao fim. Quando cheguei ao final fiquei muito feliz", confessou ao DN, acreditando ter estabelecido um recorde mundial, ainda que não existam registos no que concerne às distâncias mais longas alguma vez surfadas. "Nunca tinha pensado ser possível surfar durante dez minutos", desabafou no final, eufórico com o feito alcançado.

McNamara não só tem batido recordes como tem conquistado a admiração dos portugueses. Ontem, à beira-Tejo e até em embarcações no próprio rio, foram centenas as pessoas que, mesmo sob calor tórrido, quiseram acompanhar e apoiar o desafio do surfista natural de Pittsfield, estado de Massachusetts. O norte-americano tem estatuto de estrela no nosso país e isso foi bem notório quando chegou à Doca de Santo Amaro ao volante de um clássico descapotável da Mercedes, também ele cinquentenário. Desde que estacionou, foi muito solicitado para posar para fotografias com dezenas de fãs, aos quais se mostrou sempre disponível. "Estou muito feliz por estar aqui. É fantástico. Adoro Portugal", afirmou ao nosso jornal acerca de um país que escolheu em 2012 para casar.

A Praia do Norte, na Nazaré, foi o local escolhido para a cerimónia e é lá que quer voltar para fazer o que mais gosta: surfar ondas gigantes. "O próximo desafio é surfar uma onda gigante outra vez. Não o faço desde que sofri uma lesão, há um ano e meio. Há 18 meses que quero surfar uma onda gigante novamente", adiantou, já depois de ter afirmado que está "pronto para a Nazaré", localidade que projetou para o mundo do surf como um palco de excelência para a prática da modalidade.

Criativo nos desafios que propõe a ele mesmo, McNamara também foi notícia em Portugal quando decidiu surfar junto à praia do Bico do Mexilhoeiro, no Barreiro, em abril de 2014. O norte-americano experimentou a chamada Gasoline, a onda que chega a atingir 150 metros de comprimento e é formada pela passagem dos barcos que transportam passageiros entre aquela cidade e Lisboa em condições muito específicas: quando a maré está vazia, é hora de ponta e o barco está cheio. Na altura, garantiu ter-se "divertido bastante" e disse ter vontade de regressar.

Ligado à modalidade desde os 11 anos, o norte-americano ganhou paixão pelo surf nas praias da Califórnia e do Havai, mas foi no Alasca que obteve a primeira grande proeza: foi o primeiro a surfar ondas glaciares, em 2007.

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