Vencedor da Volta a Portugal denuncia tráfico (VÍDEO)

Xavier Tondo recebeu proposta de traficantes e reencaminhou-a para a polícia da Catalunha, que desmantelou a rede e deteve várias pessoas por venda de dopantes, importados a partir de Portugal e de Andorra.

Xavier Tondo, que já passou por equipas portuguesas e até ganhou uma edição da Volta a Portugal, foi quem provocou a investigação que desencadeou a mais recente acção contra o doping em Espanha.

O ciclista reencaminhou para os Mossos d'Esquadra, polícia da comunidade autónoma espanhola, um correio electrónico que recebera em Dezembro, onde lhe propunham vender dopantes. A denúncia resultou na detenção de cinco pessoas na Catalunha por tráfico de dopantes e associação criminosa. O grupo era constituído por atletas amadores e semi-profissionais, que vendiam dopantes a culturistas e atletas de desportos de resistência, como o atletismo de fundo, ciclismo, triatlo/duatlo e natação, a maioria amadores, semiprofissionais ou aficcionados.

O arsenal de dopantes era semelhante ao usado no desporto profissional: eritropoietina (EPO) e derivados sanguíneos, hormona de crescimento, clembuterol, nandrolona e outros anabolizantes. Portugal era o principal mercado de fornecimento dos traficantes, importando por vezes fármacos falsificados. A rede também se abastecia em Andorra e roubava EPO de centros de hemodiálise (VER VÍDEO NO FINAL DO TEXTO)

Xavier Tondo foi a origem da Operação Cursa. O veterano ciclista de 33 anos, uma das figuras da equipa Movistar, foi quem apresentou a queixa aos Mossos d'Esquadra, adiantou o El País. A carreira de Tondo está profundamente ligada a Portugal. Logo no segundo ano como profissional, em 2004, ingressou na Barbot-Gaia. No ano seguinte voltou para uma formação espanhola e venceu a edição da Volta ao Alentejo.

Tondo regressou a uma equipa portuguesa em 2007, assinando pela LA Alumínios-MSS-Milaneza, vencendo a Volta a Portugal. Em 2008 continuou na equipa, foi primeiro classificado na Subida a Naranco e segundo na Volta às Astúrias, mas o desempenho da equipa nesta prova (conquistou os três primeiros lugares) aumentou ainda mais as suspeitas de dopagem organizada na LA-MSS e levou à intervenção da Polícia Judiciária e do Conselho Nacional Antidopagem.

A operação não atingiu os ciclistas espanhóis, incluindo Tondo, mas a maioria dos ciclistas portugueses, o director desportivo, Manuel Zeferino, e o médico, Marcos Maynar, foram punidos pela justiça desportiva.

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