Ex-piloto de F1 Tarso Marques suspenso por doping

O piloto brasileiro Tarso Marques, que já passou pela Fórmula 1 e foi colega de equipa de Pedro Lamy, está a cumprir dois anos de suspensão, devido a um controlo de doping positivo registado em 2009, mas que a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) manteve sob sigilo mesmo depois de o atleta ter sido punido e apesar de os regulamentos obrigarem à divulgação.

O teste positivo foi realizado na última corrida da época de 2009 da Stock Car, que se realizou no autódromo de Interlagos. A revista Warm Up teve de conduzir uma longa investigação e ultrapassar um muro de silêncio e de declarações sob anonimato para descobrir mais detalhes sobre este caso, mas não conseguiu desvendar qual a substância detectada e que levou a que Tarso Marques fosse suspenso, em meados de 2010, pelo Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da confederação.

O presidente da CBA, Cleyton Pinteiro, argumenta que a divulgação do caso de doping devia ser feita pelo STJD. O tribunal diz que o processo não foi conhecido porque o seu site não está a funcionar. Mas, há três anos, a CBA divulgou o teste positivo do piloto Paulo Salustiano, ainda que não dissesse qual a substância detectada. Nessa altura, a confederação tinha outro presidente, Paulo Scaglione, o mesmo que agora critica Pinteiro, defendendo que cabe à CBA aplicar administrativamente as penas e ao STJD analisar os recursos, ou seja, tem de ser a direcção da confederação a divulgar os casos de doping.

A revista Warm Up adianta que o regulamento dos procedimentos antidoping da CBA possui um artigo (13.2) que obriga à divulgação dos processos. Mas o coordenador médico da Sotck Car e responsável pelo projecto antidopagem, Dino Altmann, alega que na altura do positivo de Tarso Marques o automobilismo não estava vinculado à Agência Mundial Antidopagem e que a divulgação não era obrigatória.

Outra incongruência deste processo está relacionada com o apelo de Tarso Marques. O piloto nega ter-se dopado e alega que a substância detectada não tem influência na corrida e que foi tomada por motivos clínicos. Diz que apresentou recurso junto do STJD e que está pendente um processo para analisar a sua inocência, mas o tribunal nega ter recebido qualquer pedido por parte do piloto que competiu pela Minardi, na Fórmula 1, em 1996 (ao lado do português Pedro Lamy), 1997 e 2001, sem que conseguisse qualquer ponto nessas temporadas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.