A superação de Shaquem Griffin à procura de um lugar na NFL

Jogador amputado da mão esquerda foi a grande sensação do conjunto de provas para acesso à NFL. Bateu recorde de velocidade e recebeu elogios de estrelas da liga

Uma noite, quando Shaquem Griffin tinha apenas 4 anos, a mãe encontrou-o na cozinha à procura de uma faca com a qual pudesse cortar a mão esquerda e pôr fim às dores insuportáveis. O episódio foi a gota de água que levou Tangie Griffin a telefonar para um médico amigo e marcar a amputação da mão de um dos seus filhos gémeos, nascido com uma má formação devido a um problema durante a gestação. Desde então, a vida de Shaquem tem sido percorrida a superar barreiras e a desafiar o impossível. Como no último fim de semana, em que se tornou o principal destaque do Combine da NFL, as provas de acesso à liga profissional de futebol americano a que se submetem os jogadores saídos da universidade.

Apesar do seu handicap, Shaquem Griffin surpreendeu toda a gente ao conseguir o tempo mais rápido registado por um linebacker (uma posição defensiva) desde 2003 nos testes de corrida em 40 jardas (36,5 metros), ao percorrer a distância em apenas 4,38 segundos. Além disso, com a ajuda de uma prótese, levantou 20 vezes um haltere de 102 kg, superando largamente o seu máximo anterior (11) e grande parte dos "rivais".

Num universo que elege a quase perfeição atlética, Shaquem Griffin sabe que tem de fazer aquilo que faz desde sempre: superar obstáculos. Foi assim quando lhe disseram que não poderia jogar futebol americano sem uma mão, foi assim quando um treinador de uma escola rival o queria proibir de jogar, foi assim quando lhe disseram que nunca seria um jogador de topo na universidade e foi assim neste Combine da NFL, para o qual só ganhou um convite já mesmo na última semana, depois de ter sido um dos jogadores em destaque no Senior Bowl, um jogo all-star entre jogadores das universidades que se realizou no final de janeiro.

"Eu poderia ter sido uma daquelas crianças que sentem toda a negatividade dos outros sobre si. Muitos treinadores e jogadores diziam que futebol [americano] não é para quem tem apenas uma mão, só para quem tem as duas", disse Griffin numa entrevista. "Em vez disso, eu sempre transformei a negatividade em algo positivo. Sempre usei a negatividade como um combustível para me levar a fazer melhor. Todas as vezes que alguém dizia que eu não podia fazer algo, era quando eu tinha a certeza de que iria fazê-lo", acrescentou o jogador de 22 anos, que na Universidade da Florida Central ganhou prémios de jogador defensivo do ano e agora procura juntar-se ao irmão gémeo Shaquill (cornerback dos Seattle Seahawks, nasceu dois minutos antes de Shaquem) no mundo elitista da NFL.

Para já, o impacto causado por Shaquem não passou despercebido a ninguém, levando mesmo várias estrelas atuais da liga a reagir nas redes sociais. "Shaquem Griffin está a arrasar", escreveu no Twitter o três vezes melhor jogador defensivo do ano JJ Watt, dos Houston Texans. Por sua vez, Richard Sherman, cornerback dos Seattle Seahawks, deixou o aviso: "Se Shaquem Griffin não for escolhido nos primeiros dois dias do draft, o sistema está errado. Foi produtivo e teve uma boa performance no Combine. Portou-se bem contra uma concorrência de alto nível." E os elogios estenderam-se a comentadores como Mike Mayock: "Isto é um autêntico jogador de futebol. É uma fonte de energia."

Shaquem sabe que já superou as expectativas de toda a gente. Agora, resta-lhe esperar pelo processo do draft, a partir de 26 de abril, quando as equipas da NFL vão fazer as suas escolhas de novos jogadores para a próxima temporada.

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