A corrida que se tornou uma marca e que une gerações a correr

Uns levaram a prova a sério, outros mais pelo convívio. Cerca de 35 mil pessoas passaram ontem na Ponte 25 de Abril

Vieram de Lisboa e arredores, dos mais variados locais de Portugal e de países como Espanha e República da Irlanda. Cerca de 35 mil pessoas participaram ontem na 26.ª edição da Meia-Maratona de Lisboa (só na Mini, com sete quilómetros, correram cerca de 23 mil), que continua a ter o bom tempo como aliado.

Adílio Silva, 62 anos, estava radiante por acabar a Mini-Maratona em 40 minutos. "É melhor terminar a Mini com uma boa marca do que acabar a Meia de rastos", referiu ao DN este barcelense, que participou pela vigésima vez na prova. Adílio fez parte de um conjunto de 40 pessoas, o Grupo das Isabelinhas, que veio propositadamente de Barcelos. "Alugámos um autocarro e até fizemos umas camisolas alusivas à prova. Fiquei mais uma vez fascinado com o ambiente. Isto mostra bem a força do povo!", atirou, ele que é um exemplo de como o exercício físico pode ser determinante no bem-estar. "Tive uma vida complicada. Sou filho de um cabeleireiro e comecei a cortar barbas aos 11 anos. Trabalhei sete dias por semana, sem direito a folgas. Depois aventurei-me como empresário no ramo têxtil, mas as coisas não correram bem e entrei numa depressão, com 29 anos. Consultei meia dúzia de psiquiatras e um disse-me que a melhor forma de recuperar era fazer exercício físico. Comecei a correr e deste então nunca mais tive de tomar um único calmante em toda a minha vida! E continuo a ter o mesmo gosto pela corrida", revelou.

Sandra Matos e a filha Laura, de 10 anos, cumpriram a Mini-Maratona em 47 minutos. A mãe confessou que poderia ter feito a Meia, mas preferiu acompanhar a filha, acabando ambas por cortar a meta ao mesmo tempo. Quem preferiu ficar a ver foi o marido. "Só vim ver os pastéis!", atirou.

A prova permitiu que a família Martins unisse ainda mais gerações, mas desta vez todos levaram a prova a sério: o avô Armando, o pai Filipe e o neto Diogo. Acabaram juntos a Mini-Maratona, com o tempo de 49 minutos, e aguardavam pela chegada de Marco, irmão de Filipe, que se aventurou na Meia-Maratona. O patriarca elogiou "a fantástica organização, que além de permitir que milhares de pessoas façam desporto conseguiu criar uma marca forte e um negócio rentável".

As amigas Maria José, 60 anos, e Teresa, 66, são veteranas na prova. "Participamos todos os anos, desde que passou a haver caminhadas. Vimos pelo convívio e pela camaradagem", disse Maria José. "Andamos sempre à procura das corridas em Lisboa e arredores em que seja possível fazer caminhadas", acrescentou Teresa. Quando lhes perguntamos se não sairia mais barato fazer caminhadas sem gastar dinheiro - a inscrição é de 17 euros por pessoa -, Maria José responde que "não tem piada caminhar sozinha e que é mais engraçado ter a possibilidade de conviver com muitas pessoas".

De Espanha também houve representantes: um curioso grupo luso-espanhol de amigos que se conheceram há uns anos em La Antilla, Huelva, perto da fronteira com o Algarve, local onde continuam a passar férias. "Participamos sempre nesta Meia-Maratona para rever os amigos e por causa da comida. Adoramos tudo em Portugal!", revelou Joaquín Gomez, que retribuiu a visita que os amigos portugueses fizeram há poucas semanas, a pretexto da Meia-Maratona de Sevilha.

Ontem nem faltou uma bandeira da República da Irlanda, nas mãos de Callette, entre os milhares de pessoas que assistiam à prova. "Estou à espera de ver passar a minha amiga Mary, que faz 60 anos e decidiu vir a Lisboa correr a Meia--Maratona. Bela forma de comemorar o aniversário", referiu de forma sarcástica, confirmando que no seu caso jamais iria festejar um aniversário a correr 21 quilómetros.

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