A bandeira do Barça é Messi e a sua vítima o Sevilha

Barcelona conquista a Taça do Rei, Messi iguala recorde de Zarra com 68 anos e Iniesta pode ter levantado o último troféu pela equipa da Catalunha, que foi pouco reivindicativa

Havia uma curiosidade política quanto a uma final da Taça do Rei disputada em Madrid (Estádio Wanda Metropolitano, do Atlético): a Catalunha iria insurgir-se contra os símbolos da monarquia? Insurgiu-se, sim, mas contra a ligeira desconfiança de que o Barcelona já estivesse esgotado futebolisticamente. E com a simplicidade genial de Messi e Iniesta, que pode ter levantado o último troféu pelos blaugrana, castigou o Sevilha e conquistou o troféu. De goleada (5-0), que iguala as maiores da história na final da prova.

Quanto à questão política, chegou-se à conclusão de que haveria mais bandeiras espanholas do que as esteladas da Catalunha. E os habituais assobios catalães ao hino de Espanha foram abafados pelos cânticos eufóricos dos andaluzes. Serviu, este momento pré-jogo, para que os sevilhistas pudessem extravasar alegria. Porque depois foi cada tiro, cada rombo na equipa orientada por Montella.

O Barcelona ainda teve a gentileza de avisar previamente. Aos 9", Messi bateu um livre quase perfeito. Só não foi perfeito porque permitiu ao guarda-redes Soria um pequeno toque junto ao ângulo para desviar a bola para a barra.

Pouco depois, no entanto, o Barça tinha esgotado as borlas. Aos 14", o guarda-redes Cillessen lançou Coutinho na extrema direita. O brasileiro foi letal na condução de bola e serviu Luis Suárez, que ainda teve de recuar um pouco o pé para enviar a bola para as redes.

Seguro a parar as tentativas de contra-ataques do Sevilha, o Barcelona lançou-se no ataque, desbaratando o adversário. Aos 31", Jordi Alba serviu Messi, que, de primeira, atirou para o 2-0. E para o igualar de um recorde que já somava 68 anos: Zarra tinha então marcado na quinta final da Taça do Rei. Ontem, foi a vez de Messi. Refira--se, a propósito, que foi frente à vítima preferida: já marcou 31 golos a este adversário.

Antes do intervalo, o assunto ficou arrumado, com Luis Suárez a bisar a passe de Messi. As equipas iam descansar com um autoritário 3-0 para o Barcelona, e um suspiro de alívio para o treinador Ernesto Valverde, que via a sua continuidade no comando dos blaugrana ligada a um triunfo neste jogo (segundo o El Mundo Deportivo).

A assistir do banco de suplentes havia dois portugueses: Nélson Semedo nos catalães, Daniel Carriço nos andaluzes. Curiosamente, os lusos não entraram em campo, mas entraram dois jogadores com ligações a Portugal - Layún (emprestado pelo FC Porto) e Nolito (ex-Benfica) pelo Sevilha.

Na segunda parte, Iniesta quis deixar a sua marca na partida, ele que pode ter levantado ontem o último troféu pelo Barcelona, uma vez que a taça do mais que provável campeão de Espanha, como tem sido hábito, só é entregue na temporada seguinte (e serão 32 títulos ao serviço da equipa de Camp Nou, tantos como Messi). Aos 52", com mais uma assistência de Messi, o capitão do Barcelona fez o 4-0.

Um quarto de hora depois, aos 69", Philippe Coutinho encarregou-se de elevar o marcador para números embaraçosos, na marcação de um penálti. Uma mão-cheia de golos que dizimava completamente o Sevilha e punha o Barcelona nas nuvens.

Ernesto Valverde pôde gerir as emoções do capitão, substituindo-o aos 88" (entrou Denis Suárez), e depois foi a festa dos catalães com a conquista da 30.ª Taça do Rei da história do clube (mais seis do que o Athletic de Bilbau, a segunda equipa com mais taças).

Para Iniesta, deve seguir-se uma aventura na China ao serviço do Chongqing Lifan, que é atualmente orientado por Paulo Bento.

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