332 dias depois, Paulinho deixou de ser o patinho feio do Sporting

Avançado marcou primeiro hat-trick pelos leões e recebeu ovação dos adeptos. Amorim sempre acreditou nele e não o deixou cair.

Três golos, três pontos para o Sporting num jogo onde a equipa esteve a perder por 0-1 ao intervalo, e um protagonista maior: Paulinho, o jogador mais caro da história dos leões, apontou anteontem um hat-trick frente ao Portimonense no triunfo por 3-2 e 332 dias depois deixou definitivamente de ser o patinho feio do clube de Alvalade, o goleador sem golos como alguns já o rotulavam, que já é o melhor marcador da equipa no campeonato, com seis golos em 15 jogos.

O avançado de 29 anos foi contratado ao Sp. Braga no mercado de inverno da época passada, e anunciado como reforço do Sporting a 1 de fevereiro (fez ontem 332 dias). Muita gente torceu o nariz aos 16 milhões de euros pagos pala SAD leonina por 70% do passe do atacante que Rúben Amorim, que o tinha treinado nos arsenalistas, acreditava que encaixava na perfeição na forma de jogar da equipa.

Só que Paulinho demorou a engatar. Poucos golos, muito desperdício, motivaram críticas dos adeptos, que não viam no avançado o mesmo goleador que tinha dado nas vistas no Sp. Braga, onde na época 2019-20 tinha apontado 25 golos, e na meia temporada da época passada, ainda em Braga, 10 em 23 jogos.

Na verdade, este foi apenas o terceiro hat-trick da carreira de Paulinho. Ao serviço do Sp. Braga, tinha marcado três golos ao P. Ferreira num jogo da I Liga e voltou a fazê-lo numa partida da Taça da Liga diante do Estoril. Mas com a camisola do Sporting, foi o primeiro. Há mais de um ano, aliás, que o avançado não marcava dois ou mais golos. A última vez tinha sido a 17 de dezembro de 2020, precisamente o tal jogo diante do Estoril.

Sempre apoiado por Amorim

Rúben Amorim sempre fez a defesa de Paulinho. Sentiu necessidade de o fazer pela primeira vez ainda em abril, na época passada, quando o avançado deixava os adeptos com os nervos em franja com as oportunidades desperdiçadas e apenas tinha um golo nos primeiros oito jogos com a camisola dos leões.

"O Paulinho, para mim, é o melhor avançado português, e continua a ser. Concordem ou não, a opinião mais importante é a minha, porque eu é que ponho os jogadores a jogar [...] estofo teve ele porque veio do Santa Maria até ser o jogador mais caro do Sporting. Chegou a internacional, lutou muito... É preciso é ter estofo para fazer o caminho, porque isto faz parte", disse Amorim no dia 24 de abril, antes de um jogo com o Sp. Braga.

Paulinho terminou a época passada com 14 jogos realizados pelos leões e apenas três golos. E esta temporada as coisas também não começaram bem, com apenas dois golos nas primeiras 12 partidas da época. E novamente Rúben Amorim saiu na sua defesa, desta vez, contudo, apelando a mais trabalho da parte do avançado.

"O Paulinho tem de fazer aquilo que tem feito. Os golos dão sumo àquilo que é o avançado, mas ligamos a muito mais do que isso. O Paulinho é o primeiro a perceber que falhou alguns golos. [A falta de eficácia] é um problema para ele. Tem de fazer mais golos, trabalhar. Cada vez que tem a baliza à frente no treino, tem de rematar, referiu há dois meses.

O treinador leonino nunca deixou de acreditar no avançado. E na quarta-feira viu finalmente os adeptos aplaudirem Paulinho de pé, como num momento de redenção a significar que o rótulo de patinho feio pertence ao passado. "Os adeptos têm uma grande parte nisso [ao apoiar o jogador]. Se nos lembrarmos das grandes ocasiões do Paulinho, quando mandava ao poste, foi o público que o ajudou. Sempre estive satisfeito com ele. Ele tem de fazer os golos, mas ele é a pessoa que sofre mais com isso. Não é nada uma vitória pessoal, é uma vitória dos adeptos, da equipa", disse o treinador anteontem, após um jogo onde também lançou mais um jovem da formação, Geny Catamo, o 13.º em menos de dois anos que leva aos comandos do Sporting.

nuno.fernandes@dn.pt

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