O amor depois do #MeToo: como seduzir sem arriscar uma acusação de assédio

Qual é a linha que separa o abuso da sedução? E como se adaptam as pessoas aos tempos depois do #MeToo? Fomos saber

"Sempre tive muita atenção para não passar a linha que separa o "engate" do abuso", diz Nuno Faria, 25 anos, solteiro. Cátia Brites, quatro anos mais velha e na mesma condição, diz que "até pode dar conversa", mas deixa sempre "bem claro o que não quer". O problema, refere, é que "não se consegue controlar a expectativa que o outro cria". Depois, "ter de dizer não tanta vez é muito incomodativo", desabafa.

Ambos, que vivem nas fronteiras de Lisboa, concordam que o movimento #MeToo, cujo eco se fez ouvir no mundo desde outubro de 2017, pouco ou nada mudou por cá. Aliás, as denúncias feitas ao abrigo da hashtag (#) não revelaram vítimas nem despiram abusadores no exercício do poder indesejado em contexto laboral nacional.

Mas e no resto? A noite, o engate, o enamoramento, as aplicações de encontros, os beijos roubados e os primeiros passos mudaram? "Não creio", responde Cátia. "Continua tudo igual. Sais à noite e sentes que há sempre o olhar de querer levar alguém para a cama.E há muita pressão, até por parte das próprias amigas, que querem saber o que aconteceu depois e lembram que "aquele" rapaz bem podia ser um bom partido", graceja.

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Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

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