Sofia Colares Alves

Recuperar com sustentabilidade

Estamos a viver uma crise provocada por um risco que não pudemos identificar, prever e preparar atempadamente. A crise da Covid-19 adquiriu moldes desconhecidos e imprevisíveis para todos e está a provocar sofrimento que é urgente minorar. Outras crises se avizinham e uma delas é, não só, previsível, como exige uma ação urgente para evitar catástrofes no futuro próximo. Estou a falar, naturalmente, da crise climática cujo combate é prioridade da Comissão Europeia através do Pacto Ecológico Europeu.

Sofia Colares Alves

Margarita Correia

E ainda bem!

A variação é uma característica das línguas. Todas as línguas variam em função de tempo, geografia, condição social ou contexto de uso. Todas as línguas apresentam variação, com exceção de línguas como o latim e o grego clássico, que hoje já não variam porque são línguas mortas, mas que tiveram variedades distintas em épocas, lugares e contextos distintos. A língua portuguesa não é diferente das demais línguas vivas e, como tal, apresenta variação. E ainda bem!

Margarita Correia

Paulo Rego

Arquivar a histeria

O súbito imperativo ético de salvar o arquivo do Diário de Notícias - aliás, do Global Media Group (GMG) - dos seus proprietários, é uma narrativa que roça a patetice, com tiques ideológicos caricatos e um profundo desrespeito por uma empresa que há décadas investe no tratamento e preservação de um espólio que, de facto, é património nacional, venha ele a ser classificado - ou não. A inaudita histeria, caída de um bloco aos trambolhões, envolve uma mão cheia de veneráveis - outros, candidatos a tal - que pedem ao Estado a classificação do arquivo, alegando estar este em perigo. Uns, quiçá, bem intencionados; todos mal informados por quem os expõe a uma notória falta de senso. A verdade dos factos, a qualidade da informação, a liberdade de expressão, o direito de resposta, da ética do negócio... património tão ou mais importante que o do arquivo, atira-se às urtigas, com uma leveza, essa sim, constrangedora. Cabe-me agradecer ao presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, que em conversa comigo - à época, administrador executivo do GMG - disponibilizou o Arquivo Sophia de Mello Breyner para guardar mais de 150 anos de História da imprensa portuguesa. Pois é... Aos agentes da campanha, que a tratam de forma inquinada, sabendo que o espólio estará seguro, em local climatizado, e certificado, pergunto onde está a origem - e o verdadeiro objetivo - do melodrama. Estivesse o arquivo a submergir às cheias do Douro, a arder numa qualquer fogueira de vaidades, corroído em desgraça... eu próprio alertaria o Estado. Talvez até me aliasse aos peticionários; ou melhor, a um crowdfunding... Durmam em paz os arautos da desgraça. Não há drama algum com o arquivo. Percebam, a propósito, que o GMG já provou estar disponível para partilhar esse valor, que é seu, mas que o país merece; está mais que interessado em digitalizá-lo, para consulta fácil e eficaz; quer oferecer gratuitamente o acesso a quem precisa - investigadores e estudantes - e, até, rentabilizá-lo, junto de quem pode, para investir na valorização dos documentos. De resto, há instituições interessadas nisso; tratando o tema com recato, e sem agendas que não lhes pertencem. Vejo isso, de forma lata, como parte da independência dos Média, da responsabilidade social, da liberdade empresarial... diria mesmo, simplificando, do bom senso. Escrevo a título meramente pessoal; naturalmente, com a consciência de quem representa um acionista de referência. Esclareço: não tenho nada contra a preocupação com o arquivo, aplaudo o reconhecimento do seu valor; e nunca me oponho a debate público algum. Julgo, até, ser merecida a classificação patrimonial, desde que não ponham em causa os legítimos interesses do proprietário, nem o empurrem para agendas fora de tempo, desfocadas e desvirtuadas. O primeiro compromisso de todos e cada um dos grupos Média, nesta altura, é com a valorização das suas marcas, a defesa do jornalismo e do seu papel insubstituível, num contexto muito difícil para a indústria, o país, e o mundo em geral. Esse é o património que me foca dia e noite. Acho, no mínimo, caricato - e esclarecedor - que se acene o fantasma da falência, erguendo a salvação do arquivo como farol da salvação civilizacional. Não se preocupem. Há quem esteja empenhado em tudo o que verdadeiramente importa, antes daquilo que nunca esteve, nem está, em perigo. O arquivo está guardado; bem tratado - e tem dono. Outros, como o arquivo fotográfico do Comércio do Porto, estão em Vigo ao deus dará. Mas como já nada aí se joga, já ninguém se lembra de jogar ao património... Deixo uma nota à direção do jornal Público, que respeito, profissional e pessoalmente. Primeiro, não publicam esclarecimentos enviados pelo Pedro Tadeu, diretor do arquivo em causa, contrapondo a visão desinformada da redação - e suas fontes; a seguir, negam publicar o direito de resposta, a pretexto do tamanho previsto na lei e outros argumentos ainda menos compreensíveis. Sempre em frente, até ao abismo, ainda exigem a indignação como único lugar da expressão... É um péssimo serviço a todos nós. Mas, em primeira mão, aos vossos leitores, que merecem pensar por si próprios, com acesso a todos os dados e fontes informadas. O jornalismo, de facto, é uma atitude. Não é um formalismo, nem uma narrativa... muito menos um referendo corporativo. Não tenho responsabilidades editoriais no GMG. Tenho-as no Plataforma, que está a relançar-se, com novo site, nova direção e novos modelos. Cometeremos erros, tentaremos corrigi-los; ouviremos sempre toda a gente; por maioria de razão, profissionais com o mesmo calibre. A concorrência, legítima e saudável, não pode excluir o sentido de urgência, que nos é comum, na defesa difícil e complexa da afirmação do jornalismo. Se falhamos na nossa essência, os leitores não precisam de nós; bem podem "papar" petições nas redes sociais. O arquivo GMG está bem - e recomenda-se. Muita coisa tem de mudar nos Média. Faço parte de uma geração que tem de se reinventar; não estou isento de erros nem rejeito responsabilidades. Veremos quem cá fica a defender o jornalismo. Os outros andam aí... mas o interesse é outro.

Paulo Rego

Leonel Gonçalves

O Arquivo do ​Diário de Notícias e​m questão

. Desde há vários anos que as alterações na propriedade do DN têm conduzido a interrogações sobre o Arquivo do jornal, especialmente entre pessoas ligadas à comunicação social. No almoço de confraternização, que os antigos empregados do DN realizam todos os anos, no dia do aniversário do jornal, o tema tem sido sempre largamente abordado, como, aliás, já tinha sido a questão do edifício da Avenida da Liberdade, que motivara até a aprovação de um documento. E eis que surge agora um Requerimento, assinado por dois antigos Presidentes da República e figuras prestigiadas da comunicação e da cultura, solicitando a classificação urgente do Arquivo do DN. Esta designação, usual na Imprensa, compreende a Biblioteca, Hemeroteca, Filmoteca, Fototeca e um conjunto de obras de arte.

Leonel Gonçalves

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Há duas grandes diferenças entre o anúncio de Merkel e Macron, feito na segunda-feira passada, e o que a Comissão Europeia tinha antecipado e deverá ser, finalmente, apresentado esta semana: falaram os patrões e disseram quanto estavam dispostos a gastar. Ou, se quisermos ser mais diplomáticos, falaram os principais acionistas e deram um número. Sendo que um deles, a França, até tem mais fraquezas internas que muitos dos acionistas minoritários, mas é a França.

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