Atualidade

Opinião

Maria Antónia Almeida Santos

Sobre a boa morte

Tudo o que envolve a relação entre liberdade e vida é sensível, exigente e complexo e a despenalização da eutanásia - da boa morte - não é exceção. Eu aceito que é possível encará-la à luz das nossas experiências e crenças. Mas não aceito que se projete uma conceção individual (ou de um grupo) no coletivo da sociedade, tendo em vista a obrigatoriedade de um e apenas um entendimento nesta matéria. O debate em torno da eutanásia não é de agora e já vai longo. Só isso já ajudaria a esvaziar de sentido o referendo de que se fala agora e só agora, com o intuito único de travar todo o processo legislativo em curso.

Maria Antónia Almeida Santos

Ricardo Paes Mamede

Pobres os economistas que não sabem de política

Peçam a um economista escolhido ao acaso que vos indique um exemplo de sucesso entre os países da zona euro. Com grande probabilidade falará da Irlanda, cujo PIB é hoje quase o dobro do que era antes da crise (o português é quase igual). A seguir perguntem-lhe sobre os motivos desse sucesso. Dirá, com certeza, que os irlandeses aceitaram fazer as reformas estruturais necessárias para dar a volta à crise, aceitando cortes drásticos nos salários e mantendo os impostos sobre as empresas a níveis mínimos. Uma história de sucesso, portanto. Isto é, mais ou menos.

Ricardo Paes Mamede

João Céu e Silva

As epidemias preguiçosas da modernidade

Num país atrasado como era Portugal no tempo do anterior regime era normal que as novidades fossem um sinal da modernidade a que os portugueses não tinham acesso e, portanto, estivessem muito disponíveis para abraçar. Fazer bandas como as dos Beatles mesmo que os discos deles só chegassem meses depois, por exemplo. Após a Revolução de Abril, ao olharem para as fotografias dos revolucionários, todos os homens deixaram crescer os cabelos e as barbas desordenadamente como as de Che Guevara e Fidel, por exemplo. Quando chegaram os CD, 99% abandonarem o vinil em pouco tempo, depois o MP3 e os downloads, por exemplo...

João Céu e Silva

Carla Bernardino

O corte e a faca

A violência em contexto de intimidade já começa a somar vítimas em 2020. Desde denúncias previamente conhecidas às que ainda estão por denunciar, os cortes no amor feitos à faca começam cada vez mais cedo, na adolescência, e prosseguem vida fora, até ao limite da (des)esperança média de vida. Nesta semana acordámos com mais uma vítima, mulher, de 80 anos, que sucumbiu fatalmente às mãos do marido, também octogenário, e de uma faca. A seis cortes e uma separação decisiva e eterna.

Carla Bernardino

Aplicações pensadas para que nada nos tire o sono

Aplicações pensadas para que nada nos tire o sono

Se mantivermos uma média de oito horas de sono (entre seis e oito por dia para um adulto), passaremos mais de um quarto de século a dormir, nada menos do que um terço das nossas vidas. Um tempo que não é, de todo, um desperdício. Durante o sono, ocorrem funções imunológicas, endócrinas, de aprendizagem e de memória, recuperam-se energias e descontraem-se os músculos. Dormir ajuda a consolidar as novas recordações e a atualizar as antigas. De algum modo, o nosso cérebro sabe o que é importante para o nosso equilíbrio mental e o que é melhor descartar através do esquecimento. Doenças como a ansiedade ou a depressão estão, por vezes, relacionadas com maus hábitos de sono. Por isso, é fundamental dormir o suficiente e dormir bem.Nos últimos anos, surgiram algumas aplicações e dispositivos tecnológicos para nos ajudar a fazer algo que devia ser tão natural como beber ou comer e que, no entanto, com o ritmo acelerado da sociedade ocidental, se está a tornar num problema que afeta cada vez mais pessoas. De facto, segundo a Sociedade Espanhola de Neurologia, entre 20% e 48% da população adulta sofre, em algum momento da sua vida, de dificuldades em iniciar ou manter o sono. Entre estas invenções pensadas para nos ajudar a ter um sono de qualidade, incluem-se um dispositivo que pode ser colocado na testa, um tapete e uma almofada inteligente, todos eles ligados a aplicações móveis. América Valenzuela foi experimentá-los e analisou os seus resultados com Celia García Malo, uma neurologista especialista em sono.Edição: Azahara Mígel | Ainara NievesTexto: José L. Álvarez Cedena

A app que mostra o ângulo de inclinação da sua moto

A app que mostra o ângulo de inclinação da sua moto

"Há duas formas de chegar a casa. A primeira consiste em nunca sair. A outra consiste em dar a volta ao mundo até chegar ao ponto de partida." Esta frase, tão cheia de humor como de rebeldia meramente dissimulada, pertence à introdução de "O Homem Eterno", um dos livros mais conhecidos de um dos autores mais famosos do Reino Unido, G. K. Chesterton. O britânico foi um escritor notável e um destacado criador de aforismos: não há nenhuma página de citações na internet que não inclua algumas dezenas de frases suas. Não pelos pensamentos, mas sim pela descrição da paixão do viajante, a espanhola Alicia Sornosa tem muito em comum com Chesterton. Porque ela é uma daquelas mulheres que escolhe sempre o caminho mais longo para regressar a casa. Tanto que esse caminho a levou, há uns anos, a demonstrar a veracidade do aforismo, pois tal como ela própria descreve no seu website: "Saí em plena crise para dar 'uma volta de moto'. Em outubro de 2013, regressei a Espanha após ter percorrido os cinco continentes, conquistando o título de primeira europeia e mulher de língua espanhola deste século a dar uma volta ao mundo na sua moto."Acompanhados por Alicia, visitámos o quartel-general de uma marca mítica para os motards, a italiana Ducati. Foi lá que pôde testar a tecnologia instalada numa das melhores motos da marca, a Multistrada, equipada com vários sensores e ligações que permitem a comunicação entre a máquina e um dispositivo móvel. Através da tecnologia Bluetooth e de uma aplicação, o condutor pode não só ouvir música ou atender chamadas, como também registar várias informações, como a velocidade, o ângulo de inclinação, a aceleração ou a potência média utilizada num percurso. Esta aplicação permite ainda partilhar detalhes dos itinerários, imagens e comentários com a restante comunidade Ducati. Alicia, que percorreu estradas muito complicadas em países como o Quénia ou a Índia, conduziu esta moto pelos arredores de Bolonha e as suas impressões não podiam ser melhores.Entrevista e edição: Alicia Sornosa | Azahara Mígel | Ainara NievesTexto: José L. Álvarez Cedena

Insider

Cientista responsável pelo "Cortar, Copiar e Colar" que inspirou Steve Jobs morre aos 74 anos

Investigador que ajudou a tornar os computadores (e aparelhos móveis) aquilo que são hoje, mudou o futuro da Apple após conhecer Steve Jobs Larry Tesler é considerado um ícone dos primórdios da computação, tendo sido um precursor em Silicon Valley e o homem que mostrou a Steve Jobs inovações como o rato de computador e outros elementos gráficos que mudaram a forma como usamos aparelhos digitais. Morreu aos 74 anos. O nome de Larry Tesler é desconhecido para a maioria das pessoas que utiliza diariamente aparelhos de computação, sejam eles smartphones, computadores (de secretária ou portáteis) ou tablets. Na verdade, são cerca de 4,5 [...]

Talkdesk quer revolucionar indústria dos contact centers com robô virtual

Talkdesk quer revolucionar indústria dos contact centers com robô virtual

Tecnológica portuguesa focada nos centros de contacto vai lançar 20 novos produtos nas primeiras 20 semanas de 2020 e apostar mais do que nunca em inteligência artificial para soluções automatizadas. A Talkdesk, empresa de software na cloud para contact centers de empresas inovadoras, acaba de anunciar em comunicado o que diz ser um ambicioso programa "para liderar a inovação na indústria dos contact centers em 2020". A empresa vai introduzir 20 novos produtos no mercado nas primeiras 20 semanas do ano. Em destaque está o chamado "Talkdesk 20-in-20", que arranca com o lançamento do Agente Virtual, um assistente de conversação [...]

V Digital

O Pagani Imola é a variante mais radical do Huayra

Pagani Imola: o superdesportivo que custa 6 milhões e já está esgotado

A empresa italiana revelou imagens do Pagani Imola, a variante mais radical do Huayra, pensada para condução em circuito, ainda que a marca o anuncie como superdesportivo homologado para estrada. Chama-se Imola porque foi na famosa pista italiana que foi desenvolvido, afinado e testado. Segundo o fabricante, o modelo completou cerca de 16.000 km naquele traçado, distância mais do que suficiente para cumprir por três vezes as 24 Horas de Le Mans. O Imola tem um preço que rondará os 6 milhões euros (sem extras...) e será fabricado numa edição limitada a apenas 5 unidades, todas já com dono...

Plataforma

Há mesmo Governo (vídeo)

Há mesmo Governo (vídeo)

A ameaça do vírus frisou Macau, mas não o Governo; muito menos o Chefe do Executivo. O perfil de liderança de Ho Iat Seng, face à ameaça do coronavírus (Covid-19), projeta capacidade política e sentido de responsabilidade há muito perdidas na memória. O Hato, em Agosto de 2017, arrasou a última réstia de confiança institucional; foi o canto do cisne daquele Executivo sem futuro.  Vislumbra-se agora outro horizonte: quem pode manda, aparece, assume, transmite segurança e percepção de liderança. 

Estamos juntos

Estamos juntos

As almas imbuídas de maior espiritualidade poderão encontrar justificação na dupla proteção divina que tem abençoado esta cidade: Deusa A Ma e Nossa Senhora de Fátima. Outros apontam para a sorte que bafeja a cidade do jogo. E há quem saliente a competência das autoridades locais na gestão desta crise que se abateu sobre nós. Talvez seja uma conjugação dos três fatores, mas seguramente que até os mais críticos reconhecem que a gestão do Governo - e do Chefe do Executivo em particular - tem sido globalmente positiva. Todavia, algumas medidas anunciadas esta semana constituem riscos sérios que, à primeira vista, poderiam ser evitados ou, pelo menos, adiados por mais um par de semanas. Compreende-se o dilema, mas a reabertura gradual dos casinos - mesmo com salvaguardas e controle à entrada - suscita fundadas dúvidas, as quais foram, aliás, expressas por uma associação de trabalhadores do jogo. Por que não fazer um novo compasso de espera? Por outro lado, a diferença de tratamento entre os trabalhadores não-residentes e os cidadãos com o estatuto de residente de Macau que entram na cidade oriundos da China continental é difícil de compreender. Estando ainda em plena tempestade não é fácil vislumbrar as nuvens a dissipar-se. Trata-se de um combate que vai prolongar-se, seguramente, por semanas ou meses. Em todo o caso, não restam dúvidas que, por muito bem sucedida que seja a gestão da crise em Macau, em termos económicos nada de fundamental poderá ser resolvido se, em nosso redor (Hong Kong e província de Guandgong), não houver um efetivo controlo da situação e condições de confiança para, gradualmente, retomar a circulação de turistas dos quais tanto dependemos. Tudo isto realça a vulnerabilidade da economia local, alicerçada na mono-indústria jogo/turismo, e a centralidade do binómio dependência/interdependência. Na saída deste tormento há que arregaçar as mangas e começar a construir um caminho que, simultaneamente, alivie parcialmente essa dependência e oleie a cooperação inter-regional que demonstrou sinais de fragilidade naquela que é, seguramente, a matéria de maior relevância para a vida das pessoas e para o bom relacionamento entre as cidades da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. A título de exemplo, a decisão por parte do Governo de Hong Kong de encerramento do terminal marítimo de Sheung Wan - consequentemente das ligações com Macau - ao que tudo indica sem coordenação ou aviso prévio demonstra não apenas uma falta de respeito mas também um sinal preocupante. Afinal, estamos juntos.