Zeca Pagodinho: "O Samba é que é a verdadeira música do Brasil"

Verdadeira lenda da música brasileira, o cantor Zeca Pagodinho está de regresso a Portugal para dois concertos muito especiais, para comemorar com os fãs nacionais os 35 anos de carreira. O primeiro é já hoje à note, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, seguindo-se, no dia 10, o Coliseu do Porto

Foi, em tempos, classificado como "uma das poucas unanimidades nacionais" no Brasil, onde poucos reconhecerão à primeira o nome de Jessé Gomes da Silva Filho. Pelo contrário, se numa qualquer rua do Rio de Janeiro, São Paulo ou São Salvador, for mencionado o epíteto Zeca Pagodinho o mais certo é a o rosto do transeunte iluminar-se num largo sorriso, possivelmente seguido pelo trautear de um dos seus muitos clássicos, acompanhado, até, de uns improvisados passos de samba. Afinal, são já 35 anos de carreira, alicerçados em mãos de duas dezenas de discos, ao longo dos quais, de uns e de outros, tornou a música mais popular do Brasil num verdadeiro fenómeno pop, na aceção mais transversal e abrangente deste anglicismo. Foi, por exemplo, o primeiro artista da área do samba a gravar um espetáculo acústico para a MTV Brasil, em 2003, quando em apenas músicos e bandas da área do pop-rock o faziam. Pelo caminho, vendeu mais de 12 milhões de cópias e conquistou 4 Grammys latinos, sempre, claro está, na categoria de Melhor Álbum de Samba e Pagode.

"Não vejo as coisas assim, só faço a minha arte e tenho tido a sorte de as pessoas gostarem dela. De bebés a velhos, todos cantam das minhas canções e isso é um privilégio para qualquer artista. Devo isso ao samba. Tem o bossanova e o MPB, mas samba é samba, é a verdadeira música do Brasil", refere Zeca Pagodinho ao DN, dias antes de regressar a Portugal para dos espetáculos muitos especiais, que vão servir para celebrar com os fãs deste lado do Atlântico os tais 35 anos de carreira. "É isso mesmo, vão ser 35 anos de canções numa única noite. Um apanhado desde o início até hoje", explica o cantor, nascido há 59 anos no bairro carioca de Irajá, não conseguindo evitar um sincero desabafo: "Pôxa, já passaram mesmo 35 anos".

Um dos maiores desafios para este espetáculo foi precisamente o de selecionar os temas. "Não foi fácil, porque tive de resumir mais de 500 canções a apenas 15. Para festejar isso como devia teria de ser um dia inteiro de show", diz com humor. Do alinhamento farão com toda a certeza clássicos como Jura e Judia de mim, imortalizados nas novelas da Globo, mas também Coração em desalinho, Brincadeira tem hora, Casal sem vergonha, Deixa a vida me levar, o mais recente êxito Ser humano e, claro, o hino Deixa a vida me levar, o tema escolhido por Scolari para festejar o pentacampeonato do mundo, em 2002, ou mais recentemente pelo ex-presidente Lula da Silva, para as cerimónias fúnebres da mulher, Letícia.

Pelo meio haverá também tempo para homenagear mestres como Cartola, Elton Medeiros ou Ivone Lara e Délcio Carvalho, os autores do icónico Sonho Meu, que Zeca Pagodinho convidou um dia Maria Bethania para cantar com ele, dando assim início a uma amizade entretanto transposta também para o palco, com uma digressão conjunta que tem sido um verdadeiro sucesso no Brasil. "Está a ser muito legal essa amizade com a Maria Bethania. Gostaria muito de apresentar esse show também cá, mas isso é com vocês, porque eu gosto sempre muito de voltar a Portugal, é realmente um sítio onde me sinto em casa", confessa o cantor, cujos bisavós, "de pai e de mãe", são portugueses. "já não vou há algum tempo ao Porto e vai ser bom regressar lá agora, mas Lisboa é a minha casa em Portugal", assume. Em especial o restaurante Pinóquio, mesmo ao pé do Coliseu, onde um dia entrou por acaso, para beber uma cerveja. "O António, o Barbosa e o Jorge são hoje a minha família portuguesa. Se não estiverem a trabalhar, espero que consigam ir ao concerto".

Zeca Pagodinho

Coliseu dos Recreios, Lisboa. 3 de Outubro, quarta-feira, 21h. €30 a €50

Coliseu do Porto. 10 de outubro, quarta-feira, 22h. €20 a €60

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