Um livro que nos põe a ver as estrelas com os sem-abrigo

Em vez de um lançamento tradicional, este sábado, a autora Maria Inês Almeida e o filho José pedem ajuda aos leitores para preparar refeições para os sem-abrigo.

Ao longo dos últimos anos, o filho de Maria de Inês Almeida foi-lhe dando, "sem ele saber", muitas ideias para os livros que ela tem escrito. Desta vez, foi propositado. A mãe perguntou-lhe: "Sobre o que vai ser o próximo livro?". E José, que tem agora 11 anos, respondeu: "Sobre os sem-abrigo". E assim foi. O livro Sem Abrigo, assinado por Maria Inês Almeida com o filho José Almeida de Oliveira, com ilustrações de Cádia Vidinhas, foi agora editado pela Nuvem de Letras.

"Achei bastante curioso que ele tivesse escolhido este tema e achei que poderíamos fazer um livro muito bonito", conta Maria Inês Almeida, autora, por exemplo, da coleção Diário de uma miúda como tu. É verdade que, nos últimos anos, por altura do Natal, a família já tinha por hábito "fazer umas compras especiais" e distribuí-las por pessoas que vivem na rua. "É uma coisa que fazemos em família, sem ligação a qualquer instituição. Vamos juntos e conversamos com as pessoas. Penso que essa experiência marcou o José de alguma forma", explica.

Foi assim, a quatro mãos, que nasceu esta história de um menino que achava que as pessoas viviam na rua porque gostavam de ver as estrelas e, por isso, eram umas sortudas por poderem fazê-lo durante toda a noite, em vez de estarem em casa com as janelas fechadas. Até que um dia ele descobre que, afinal, são pessoas como ele, que só querem uma casa, um emprego, uma vida a nova.

"Fomos estruturando o livro os dois, quase como num workshop", explica a escritora. Esta é já a segunda vez que José escreve um livro com a mãe, a primeira tinha sido com o livro Quando a minha irmã nasceu , que falava precisamente do nascimento da irmã Francisca, dos ciúmes que são habituais e de como o amor dos pais vai sempre crescendo à medida que nascem mais filhos.

Neste caso o tema era um bocadinho mais duro: "É uma realidade difícil de explicar às crianças, mas é importante que o façamos. E que eles aprendam desde muito cedo que todos podemos fazer alguma coisa para ajudar." A ideia é, precisamente, despertar as consciências dos mais pequenos.

Também por isso, em vez de um lançamento tradicional, a autora optou por organizar uma iniciativa solidária: este sábado, das 9 às 11, os autores vão estar na Comunidade Vida e Paz a preparar refeições que depois serão distribuídas pela associação no fim-de-semana. "Gostávamos muito que viessem muitas crianças, muitas famílias. Podem trazer alimentos, mantas, roupa, o que quiserem partilhar."

José também vai lá estar. E, embora este tenha acabado de ser publicado, ele já perguntou à mãe: "Quando é que começamos a pensar no próximo livro?"

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