Teatros e cinema podem reabrir segunda-feira. Mas poucos o farão

Campo Pequeno e Casa da Música abrem já. Cinemas Nimas, Ideal e Trindade também. Outras salas irão abrir as portas ao público ao longo dos próximos meses. A 1 de setembro arranca a nova temporada de espetáculos.

As salas de cinema e de espetáculos em Portugal podem reabrir a partir de segunda-feira, ao fim de quase três meses encerradas, mas poucas o farão.

As regras para a reabertura das salas de espetáculo e eventos culturais ao ar livre, divulgadas esta semana, exigem máscaras, lugares marcados, definição de vias de entrada e de saída, limpeza e desinfeção das instalações e recintos.

Os organizadores de espetáculos e os titulares de salas, como cinemas e teatros, têm de assegurar a existência de "planos de contingência", garantir "higienização completa das salas, antes da abertura de portas e logo após o final de cada sessão", assim como "limpeza e desinfeção periódica das superfícies", de instalações sanitárias e de "pontos de contacto".

As salas que reabrirem já têm de o fazer com a lotação reduzida, respeitando as regras definidas pela Direção-Geral da Saúde.

Poucas salas de cinema abertas

Da rede de exibição cinematográfica, os cinemas Ideal (Lisboa) e Trindade (Porto) já tinham anunciado a reabertura de portas na segunda-feira, com programação.

A Medeia Filmes anunciará na segunda-feira as condições de reabertura do cinema Nimas, em Lisboa, e a programação das primeiras quatro semanas, numa sessão que vai encerrar com a exibição da cópia digital restaurada do filme "A Cidade Branca" (1983), de Alain Tanner.

Mas o mesmo não aconteceu ainda com as exibidoras que detêm grande parte do mercado de exibição, como a NOS Cinemas, a Cineplace ou a UCI. Na sexta-feira, a NOS Cinemas anunciou que as salas que explora "não abrirão na próxima segunda-feira", sem avançar uma data para a reabertura.

A Cinemateca reabre a biblioteca, a livraria e o restaurante, mas só retoma as sessões de cinema em julho - até lá mantém a sua sala virtual.

Os que abrem já

O espetáculo Deixem o Pimba em Paz, com Bruno Nogueira e Manuela Azevedo, que terá participações especiais de Salvador Sobral e Samuel Úria, vai "reabrir" o Campo Pequeno, em Lisboa, na segunda-feira, enquanto sala de espetáculos.

Parceria entre a Everything is New, a Força de Produção, o Campo Pequeno e a Audiomatrix, esta versão de Deixem o Pimba em Paz repete na terça-feira.

Para o mesmo local, está já marcado um outro concerto: de Dino D'Santiago, no dia 6 de junho.

No Porto, a Casa da Música abre as portas na segunda-feira para um concerto da Orquestra Barooca, com "uma redução drástica" de 85% da lotação da sala, que pode acolher 1200 pessoas, mas apenas receberá 200. A Casa da Música vai retomar os concertos na Sala Suggia com uma programação reduzida e de entrada livre ao longo do mês de junho.

A Barraca, em Lisboa, terá os primeiros espetáculos nos dias 5 e 6 de junho, uma iniciativa que reúne música, texto e poesia do poeta e dramaturgo andaluz Federico García Lorca.

A reabertura do Coliseu de Lisboa, em 13 de junho, será marcada com um espetáculo de Pierre Aderne e dos músicos da Rua da Pretas, com músicos e espectadores em palco, "com uma lotação muito reduzida".

O Theatro Circo, em Braga, preparou a abertura da sala em 15 de junho, com destaque para um projeto intitulado "Sete Quintas Felizes", em sete quintas-feiras de junho e julho, que ainda está a ser finalizado.

A lenta reabertura das salas de espetáculos

Também em Lisboa, o Centro Cultural de Belém remeteu para breve informações sobre as condições de reabertura dos auditórios, capacidade de assistência, regras de palco e sobre a programação, e a Fundação Calouste Gulbenkian indicou que está a fazer testes de palco com instrumentistas, remetendo para a primeira quinzena de setembro o anúncio da nova temporada de música.

No Teatro Nacional de São Carlos, que tutela o coro e a Orquestra Sinfónica Portuguesa, não há uma data de reabertura, mas "em breve" serão revelados os procedimentos de trabalho das duas formações musicais e alguma programação.

A ópera, em São Carlos, conta, em quase todas as produções, com a orquestra localizada no fosso do palco, prática interdita, pelas normas sanitárias em vigor. Na segunda-feira, Dia Mundial da Criança, ao meio-dia, o único teatro lírico português estreará o 1.º episódio da série "O que é que a ópera tem?", no seu site e nas redes sociais (Facebook, Instagram), que acolherão os restantes sempre à mesma hora, sempre à segunda-feira.

Embora os espetáculos de sala só recomecem em setembro, o Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, já abriu portas e iniciou o trabalho sobre os espetáculos da temporada que ficaram "pendurados", com a suspensão das atividades, em março.

O Teatro São Luiz, em Lisboa, abre as portas ao público só a 1 de setembro. Também na capital, os Artistas Unidos anunciam para 27 de Agosto a reabertura ao público do Teatro da Politécnica, com a retoma do espetáculo Uma Solidão Demasiado ruidosa a partir do romance de Bohumil Hrabal.

À agência Lusa, o promotor Vasco Sacramento, da Sons em Trânsito, que explora o Capitólio, também na capital, disse que abrir uma sala no dia 1 de junho não significa ter programação, porque "a retoma da produção de um espetáculo demora meses a preparar".

No Porto, "não há condições para abrir a 1 de junho" o Super Bock Arena, antigo pavilhão Rosa Mota, no Porto, até porque o espaço está reservado para ser hospital de campanha, por causa da covid-19, até ao final de julho, disse à Lusa o promotor Jorge Lopes, que explora o espaço.

Alguns espaços reabrem na segunda-feira, mas isso não quer dizer que acolham já público. O Teatro da Garagem, com sede no Teatro Taborda, em Lisboa, abre na segunda-feira para a equipa de trabalho, mas conta apresentar um "pequeno espetáculo" no final de julho.

O Meridional só retomará atividade de sala em setembro, já que o espaço vai ser requalificado a nível elétrico, pelo que o teatro ficará fechado durante o verão.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG