Super Rock com muito hip-hop à mistura

O festival está de regresso ao Parque das Nações, para três dias de música que terão como protagonistas nomes como The XX, Justice, Travis Scott, Slow J, Benjamim Clementine ou The The

Tal como em 1995, quando deu início à idade moderna dos festivais de música em Portugal, no Passeio Marítimo de Alcântara, em Lisboa, foi de novo junto ao Tejo, mas agora no Parque das Nações, que o Super Bock Super Rock ganhou nova vida. A mudança deu-se em 2016 e revelou-se acertada, com a organização a apostar mais na mobilidade e conforto do público que propriamente nas grandes enchentes - a lotação do recinto é de apenas 20 mil pessoas, por ser essa também a capacidade máxima da Altice Arena, que funciona como palco principal do festival. Para trás ficava o pó e os maus acessos do Meco, onde realizou durante anos, e toda uma história de mudanças, de locais e de formato, que lhe valeu, em tempos, o epíteto de "mais camaleónico festival português".

É já esta quinta-feira que tem início mais uma edição, a 24.ª e se ao cartaz deste ano parece faltar um ás como o foram Blur (2015), Kendrick Lamar (2016) ou Red Hot Chili Peppers (2017), são no entanto muitos e variados os trunfos presentes no naipe deste ano. Para este primeiro dia o destaque no palco principal vai para os britânicos The XX, os quais dividem o estatuto de cabeças-de-cartaz com a dupla francesa Justice, dois nomes que, curiosamente, são presença nos palcos dos grandes festivais em Portugal - no ano passado os primeiros tocaram no Alive e os segundos no Primavera Sound.

O palco principal receberá ainda nesta noite o espetáculo inédito Who the F*ck is Zé Pedro?, um concerto de tributo a Zé Pedro concebido pelo baterista (e filho de Kalú) Fred Ferreira, com a presença de gente tão variada como Rui Reininho, Carlão, Manuela Azevedo, Tomás Wallenstein, Manel Cruz, Jorge Palma, Paulo Gonzo ou João Pedro Pais. Nos restantes palcos (são quatro no total) vão passar propostas como o punk-rock dos portugueses The Parkinsons, a soul do americano Lee Fields & the Expressions, o psicadelismo dos britânicos Temples ou o indie-rock dos seus compatriotas The Vaccines.

Dia do hip-hop

Na sexta, 20, é o hip-hop a marcar a bitola do cartaz. Segundo apurou o DN este segundo dia é, até agora, o que tem tido mais procura, apesar do ceticismo do público (e programadores) mais mainstream, que ainda continua torcer o nariz a este estilo musical. A verdade é que, tal como aconteceu em 2016, com o memorável concerto de Kendrick Lamar, ou já este ano, no Primavera Sound, com Tyler, the Creator, Vince Staples e A$AP Rocky, a ascensão do hip-hop aos palcos principais dos festivais não só é uma inevitabilidade como já é realidade. O rapper americano Travis Scott e o português Slow J, que depois do sucesso do ano passado, no palco EDP, foi desta vez promovido ao palco principal do festival, são as figuras de proa de um alinhamento que conta ainda com nomes como os americanos Olivier St. Louis, Oddisee e Anderson .Paak, os portugueses Profjam e Virtus ou a também americana Princess Nokia, apresentada como "um dos nomes mais promissores do hip-hop mundial".

Sábado, 21, é talvez o dia mais variado em termos de propostas, que tanto vão do rock desenfreado de Julian Casablancas + The Voidz ao intimismo quase erudito de Benjamim Clementine, no palco principal. Nos restantes pode-se escolher, por exemplo, entre o pós-punk dos eternos The The, as sonoridades mais alternativas de Baxter Dury, o rock retro dos Keep Razors Sharp ou a pop sempre muito aventureira dos históricos Pop Dell"Arte. Esta última noite marca também o regresso ao Parque das Nações do coletivo catalão La Fura dels Baus, de regresso duas décadas depois de aqui terem atuado, aquando da Expo 98, com um espetáculo concebido em exclusivo para o Super Bock Super Rock, que será apresentado em duas partes, no interior da Altice Arena.

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Super Bock Super Rock

Parque das Nações, Lisboa. 19 a 21 de julho, quinta a sábado, 17h. €55 a €109

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