Pintura que estava escondida em parede é mesmo de Klimt. Tinha sido roubada em 1997

A obra "Retrato de uma Senhora" estava desaparecida desde 1997 até que dois jardineiros a encontraram, escondida num painel de metal numa parede exterior de uma galeria de arte de Piacenza. Peritos confirmam que é autêntica.

Uma pintura encontrada escondida numa parede de uma galeria italiana, em dezembro passado, é uma peça autêntica da autoria de Gustav Klimt que foi roubada há quase 23 anos, asseguram especialistas.

O "Retrato de uma Senhora" era uma das obras de arte roubadas mais procuradas do mundo até ser encontrada, em dezembro, escondida numa parede da galeria de arte moderna Ricci Oddi, a mesma galeria de onde tinha desaparecido na cidade de Piacenza, no norte de Itália.

Ornella Chicca, procuradora em Piacenza, foi quem fez o anúncio: "Não é com pouca emoção que posso dizer-vos que o trabalho é autêntico."

A pintura foi descoberta por dois jardineiros quando limpavam as heras numa parede exterior da galeria, em 10 de dezembro. A dupla descobriu um painel de metal que, quando aberto, revelou uma cavidade onde estava uma pintura numa bolsa. Uma inspeção inicial indicou que a pintura era a obra de 1917 do pintor austríaco art nouveau, isto antes de dois especialistas serem nomeados pela procuradoria italiana para confirmar a autenticidade.

Numa histórica rocambolesca, Ermanno Mariani, jornalista do La Libertà de Piacenza, também recebeu uma carta de duas pessoas alegando terem roubado a pintura antes de escondê-la na parede. "Um mistério sobre um mistério pelo qual há investigações em andamento", informou o La Libertà esta sexta-feira. "A certificação da autenticidade abre as portas para o trabalho dos investigadores e não se pode descartar que o nome de um suspeito possa aparecer em breve."

O roubo de Portrait of a Lady foi descoberto na manhã de 22 de fevereiro de 1997, mas a polícia acreditava que o quadro tinha sido removido três dias antes. Os investigadores da época suspeitavam de um trabalho interno. A investigação foi reaberta em 2016 após a descoberta de traços de DNA de um assaltante na moldura abandonada da pintura.

A polícia acredita que os ladrões usaram uma linha de pesca para prender a obra-prima na parede e arrastá-la através de uma claraboia aberta para o telhado da galeria, onde a moldura foi largada.

Esta obra de Klimt é considerada particularmente importante dado que, pouco antes de desaparecimento, um estudante de arte percebeu que tinha sido pintada sobre outra obra que se acreditava perdida - um retrato de uma jovem que não era vista desde 1912, tornando-a o único "duplo" Klimt conhecido no mundo da arte.

Patrizia Barbieri, autarca de Piacenza, disse que a notícia da autenticidade "é de importância histórica para a comunidade artística e cultural e para a cidade de Piacenza".

Jonathan Papamerenghi, diretor de cultura da cidade, afirmou em dezembro que, se a autenticidade da pintura fosse confirmada, estariam prontos para exibi-la na galeria já em janeiro. Na altura, disse que a peça era a pintura roubada mais procurada do mundo depois da Natividade de Caravaggio

A pintura de Caravaggio foi roubada em 1969 em Palermo e o roubo é considerado um dos maiores mistérios da história da arte.

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