Para redescobrir as canções de Maria Bethânia

O cinema brasileiro continua presente nas salas escuras: o documentário Fevereiros revela-nos o universo criativo de Maria Bethânia e, muito em particular, as suas componentes religiosas.

Continuando o seu trabalho de divulgação da produção cinematográfica do Brasil, a distribuidora Nitrato Filmes (Santa Maria da Feira) regressa ao mundo da música com o lançamento de Fevereiros, um documentário de Márcio Debellian sobre Maria Bethânia. É uma estreia que ocorre poucas semanas depois do lançamento de My Name Is Now, retrato realista e poético da lendária Elza Soares, com assinatura de Elizabete Martins Campos.

Há uma motivação central nesta viagem pelo universo criativo de Bethânia. Assim, em 2016, a escola de samba do bairro da Mangueira ganhou o Carnaval com uma performance de homenagem à cantora de Flor de Ir Embora. A partir do registo desses momentos exuberantes, Debellian propõe uma deambulação pelas imagens e pelo imaginário da protagonista, por um lado através de uma conversa com a própria Bethânia, por outro através de testemunhos do irmão Caetano Veloso e, entre outros, Chico Buarque.

Fevereiros segue uma lógica tradicional, sem surpresas, mas competente, de articulação das interpretações com as entrevistas. Debellian consegue, sobretudo, evitar a facilidade de organizar um mero "best of" das canções de uma longa e fascinante carreira, encaminhando-nos para uma metódica contemplação das componentes religiosas de Bethânia, desde a música até às vivências mais íntimas.

Emergem os sinais de uma profunda religiosidade cuja "impureza" expõe uma singela verdade interior. Dito de outro modo: a série de celebrações que pontuam o mês de janeiro, desembocando na apoteose (carnavalesca) de fevereiro, revela uma Bethânia tocada pela crença católica, coexistindo com o Candomblé e as memórias mais remotas dos escravos que foram levados do continente africano para a América do Sul. O resultado envolve uma redescoberta didática das canções e das suas raízes.

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