Para 2023, o MAAT quer "o diálogo entre a arte, os museus e a saúde"

Na apresentação da programação do próximo ano, que será composto por 13 exposições, falámos com o diretor do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia. João Pinharada revelou que, a nível de bilheteira, este ano já ultrapassou os números pré-pandemia.

Como foi estruturada a programação de 2023?
Foi pensada e estruturada ao longo da primeira metade de 2022. Teve como orientação abordar os temas mais urgentes da humanidade e da atualidade nacional a partir da produção artística atual ou histórica e não usar a arte como ilustração desses temas. A herança histórica da Central Tejo e a localização geográfica e urbana do complexo de edifícios e jardins que o MAAT integra permitem pensar temáticas que vão de todos os temas da integração social à emergência climática, passando pela questão pós-colonial.

Alguns dos artistas que fazem parte da programação de 2023 foram vencedores dos prémios da Fundação EDP. Faz parte da filosofia do MAAT esse "reencontro"?
Sim, sempre fez, nomeadamente no reforço da coleção de arte com aquisições que cubram, tanto quanto possível, os artistas dos nossos prémios: como as exposições com os artistas Eduardo Batarda ou Carlos Bunga.

A anterior temporada que passou pelo MAAT pretendia usar o museu como também um espaço de reflexão. Para a programação de 2023 mantém-se esta ideia?
Sim, através das exposições e de toda a programação pública. Esta é desenvolvida à luz de pilares temáticos como questões contemporâneas urgentes - como discriminação, igualdade de género, crise climática e sustentabilidade ambiental, envelhecimento e cidadania, tecnologia e inovação, por exemplo. A programação também se dedica a trabalhar com audiências e comunidades específicas. É o caso do Programa Alzheimer, que visa diminuir o estigma associado à doença através da promoção de autonomia de pessoas com demência, proporcionando-lhes experiências de envolvimento e intervenção através da cultura e da arte; o Programa MAATuridades (comunidade sénior e envelhecimento ativo), o Coletivo de Jovens ou o Roteiro para a Saúde Mental, em parceria com o Manicómio, que se materializa em várias iniciativas, desde as Consultas sem Paredes, projetos artísticos e masterclasses que visam a reflexão do tema e a redução do estigma em torno da doença mental. Tendo em 2023 como um dos eixos centrais da sua programação pública o diálogo entre a arte, os museus e a saúde, o MAAT está a pensar uma conferência internacional sobre o tema, a acontecer em novembro do próximo ano.

"A herança histórica da Central Tejo e a localização geográfica e urbana do complexo de edifícios e jardins que o MAAT integra permitem pensar temáticas que vão de todos os temas da integração social à emergência climática, passando pela questão pós-colonial"

Ao fim destes anos, acredita que já há uma identidade do MAAT e uma resposta do público para o tipo de exposições que aqui têm?
Há dois níveis de relação com o museu, conforme os interesses dos públicos, mas também em função do tipo diverso dos dois edifícios: o histórico e o recente; mas o público do meio artístico estabelece como padrão de interesse e identificação a linha de exposições de arte e arquitetura herdada do longo período anterior ao MAAT e que também têm dominado a sua programação.

Comparativamente com outras cidades europeias, Lisboa tem poucas exposições grandiosas. O que falta à cultura em Portugal para começar a fazer parte do circuito de exposições de nível médio, pelo menos, como existem noutras cidades da mesma dimensão?
Falta apenas capacidade de financiamento para essas exposições; não quero acreditar que falte visão estratégica aos decisores artísticos, empresariais e políticos relativamente à importância maior desse tipo de exposições.

A nível de visitas como correu (ou está a correr) 2022?
As receitas de bilheteira já ultrapassaram o valor de 2019 (o último ano "normal" antes da pandemia). Em 2022, e até ao momento, recebemos mais de 210 mil visitantes.

dnot@dn.pt

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