Os filmes que estamos a perder no cinema

O covid-19 fez adiar uma série de estreias nas salas. Entre alguns filmes adiados e que deixam água nos olhos para quem ama a ida ao cinema. Pénelope Cruz, Emily Blunt, Mick Jagger e Matt Dillon eram protagonistas.

A lista é extensa e apresentava títulos de grande qualidade. Eventualmente os filmes que não estão a estrear vão chegar mais tarde ou mais cedo mal abram os cinemas. A questão é saber se alguns desses filmes não começam antes a ser lançados em "streaming" ou nos clubes de vídeo das operadoras. Para além dos já badalados "blockbusters" como 007 Sem Tempo para Morrer e a aposta da Disney, Mulan, há muito cinema adiado.

Mulan

de Niki Caro


Era o "blockbuster" da Disney para esta Páscoa, mais um dos filmes de imagem real baseados nos
clássicos de animação. Mulan tem tudo para ser campeão de bilheteira, podendo mesmo bater recordes
nos mercados asiáticos. A premissa de uma rapariga se mascarar de homem para poder ser guerreira na
China das dinastias ancestrais pode trazer questões interessantes de cultura identitária... De todas estas
versões é bem capaz de ser a menos infantil...

007 Sem Tempo para Morrer

de Cary Joji Fujunaga


O realizador de True Detective e do último Jane Eyre assina o primeiro dos grandes filmes dos estúdios a
receber ordem de adiamento - está agora para novembro. Teremos um Bond retirado do MI 5 e em
missão particular para ajudar o seu amigo da CIA. Consta agora que o realizador inicialmente a bordo,
Danny Boyle, tinha pensado num tom mais festivo e espetacular. Será também a primeira vez que
conheceremos a nova 007, Lashana Lynch.

O Que Arde

de Oliver Laxe


Foi um dos títulos mais fortes de Cannes 2019, o regresso do cineasta espanhol Oliver Laxe, aqui a contar
uma história sobre um pirómano que regressa à aldeia depois de voltar da prisão. Um filme em comunhão
com a Natureza, uma poema lírico com um surpreendente dote de realismo. Será um verdadeiro candidato
a sucesso de estima quando estrear.

O Espaço Entre Nós

de Alice Winecour


Ia estrear este mês um drama humano sobre uma mãe astronauta prestes a embarcar numa viagem
espacial e toda a angústia de deixar na terra a sua pequena filha. Eva Green e Matt Dillon são as estrelas
deste Proxima, um dos títulos aclamados no Festival de San Sebastián. Cinema de emoções profundas que
vive e bem através de uma simplicidade de meios narrativos.

Um Lugar Silencioso 2

de John Krasinski


Regresso a um mundo em modo de apocalipse, onde os poucos humanos sobreviventes de um ataque de
uma espécie de extraterrestres agressivos tentam continuar a sua vida sempre em silêncio: os "aliens"
atacam por audição. A premissa é igual ao primeiro mas sabe-se que a escala é maior. A imprensa
americana que tinha visto os primeiros visionamentos teve reações na ordem do êxtase...

Surdina

de Rodrigo Areias


Comédia amarga, amarguíssima do autor de Estrada de Palha, agora para nos contar uma história sobre um
velho viúvo de Guimarães que, afinal, pode não estar viúvo. Escrito por valter hugo mãe, o filme permite
a António Durães uma das suas grandes interpretações. A música de Tó Trips é também muito forte...

Quarto 212

de Chistophe Honoré

Chiara Mastroianni, melhor atriz no Un Certain Regard de Cannes 2019, é uma mulher adúltera que sai de
casa do marido fiel. Instala-se num quarto de hotel e recebe a visita do marido 20 anos mais novo e de
toda a sua coleção de amantes. Num registo de cinema pop, o cineasta francês faz o seu, muito seu, conto
de "amor louco".

Os Conselhos da Noite

de José Oliveira

Primeira ficção para o cineasta cinéfilo José Oliveira, aqui a encenar uma história de um homem com
pouco tempo de vida que regressa a casa, uma Braga da qual já não tem coordenadas. Tiago Aldeia é
bastante convincente numa obra com tempos próprios e decantada com uma insolência "rock n'roll".
Adolfo Luxúria Canibal é também figura desta viagem de bar em bar...

Tão Perto, Tão Longe

de Cédric Klapisch

Crónica de um amor desencontrado numa Paris fulminante de coincidências ou um conto sobre um casal
que nunca se encontra, mesmo morando lado a lado. Klapisch filma sem a vertigem de Paris (2008) e
muito menos o humor no "mouche" de A Residência Espanhola (2002), o filme é um bom cartão de visita
ao cinema de um cineasta francês desalinhado.

Wasp Network - Rede de Espiões

de Olivier Assayas

O muito profícuo Assayas levou ao circuito de festivais do outono esta sua grande produção, uma obra de
suspense que aborda as manobras de espionagem de cubanos nos EUA durante os períodos mais
conturbados do regime de Fidel. Um filme em modo de exercício de estilo mas quase sempre fascinante.
Com Gael Garcia Bernal, Ana de Armas, Wagner Moura e Penélope Cruz.

O Bando de Ned Kelly

de Justin Kurzel

Surpresa das grandes no Festival de Toronto, sobretudo porque de Justin Kurzel nunca se espera muito.
Mas esta biografia do mais famoso dos criminosos australianos tem uma "panache" genuína, uma força
punk que atiça o espetador com um imaginário de "barbárie" notável. Notáveis também Russell Crowe,
Charlie Humman e o protagonista de 1917, George MacKay.

The Burn Orange Heresy

de Giuseppe Capadoni

Thriller moral no Lago Como com Elizabeth Debicki, Mick Jagger e o sueco Claes Bang. Um trafulha
"dealer" de arte tenta ficar com um quadro de um dos maiores pintores do mundo. Elegante e bem escrito,
The Burnt Orange Heresy não merecia um certo descrédito granjeado no Festival de Veneza...

Terra Nova

de Artur Ribeiro

O filme sobre a odisseia dos pescadores de Bacalhau nos mares do norte. Com a morte de Nicolau
Breyner, o projeto passou para Artur Ribeiro que adaptou O Lugre, de Bernardo Santareno. O filme tem
um "all cast" vistoso que inclui Vitor Norte, Victor d'Andrade, Virgílio Castelo, Miguel Borges, Miguel
Partidário, entre outros. Um esforço enorme de produção (neste caso, de uma mulher, Ana Costa),
filmado nos mares da Noruega. Nessa dimensão física o filme consegue marcar alguns pontos.

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