Oeiras recebe festival que junta a ciência e a investigação à arte

A primeira edição do FIC.A - Festival Internacional de Ciência chega entre 12 e 17 de outubro com um cartaz pensado por duas dezenas de curadores ligados ao setor. Promoção do diálogo entre o conhecimento e a sociedade é o grande objetivo do evento.

Oeiras vai receber um festival onde a ciência será o tema forte. Organizado pela Senciência, em parceria com a câmara municipal e com o Alto Patrocínio da Presidência da República, o FIC.A - Festival Internacional de Ciência é, de acordo com os responsáveis, o primeiro do género em Portugal. Apesar de acontecer nos jardins e no Palácio do Marquês de Pombal, entre 12 e 17 de outubro, a iniciativa terá uma janela aberta para o mundo não apenas através da emissão via streaming, mas também pela participação de cientistas, investigadores e outras personalidades internacionais ligadas ao setor. "O que este festival procura fazer é não só continuar a estimular a criatividade de quem já é aficionado da ciência e da tecnologia, mas sobretudo surpreender quem se encontra desligado ou afastado destes temas", explica Rúben Oliveira, diretor científico da Senciência.

Apesar de a programação não estar ainda fechada, Rúben Oliveira adianta que estão já previstas "mais de 700 atividades e 100 oradores" que procurarão unir o conhecimento e a educação com a arte e a cultura. O objetivo passa por "democratizar a ciência" junto de vários públicos, desde alunos de todos os ciclos às famílias, oferecendo propostas que possam ajudar a fomentar o interesse por esta área. O desenho do cartaz ficou a cargo de uma equipa composta por 22 curadores, todos eles ligados às diferentes dimensões do conhecimento, como são exemplo o embaixador Alexandre Quintanilha ou três dos vencedores do Prémio Pessoa - Elvira Fortunato (2020), Henrique Leitão (2014) e Maria Manuel Mota (2013). Quintanilha, que participou na apresentação da iniciativa nesta quarta-feira (2 de junho), na Câmara Municipal de Oeiras, definiu como linha orientadora cinco "grandes desafios atuais e que serão cada vez mais graves nas próximas décadas": as alterações climáticas, as doenças zoonóticas, as alterações demográficas, as democracias fragilizadas e a proliferação das teorias da conspiração e das notícias falsas. "As fake news e estas teorias propagam-se com muito maior rapidez nos dias de hoje", afirmou, realçando a importância da aposta na literacia como arma de combate a esta tendência crescente.

O "fortalecimento da democracia", diz o investigador, passa pela promoção do diálogo entre instituições, cientistas e população que este festival irá permitir durante seis dias de intensa programação. Rúben Oliveira acredita que "o FIC.A surge num momento muito particular no qual o conhecimento científico se tornou parte do dia-a-dia de todos nós" com a pandemia, que criou maior sensibilização relativamente ao papel do conhecimento na resolução de problemas que impactam a vida dos cidadãos.

"As pessoas começam a dar mais importância à ciência e aos cientistas", afirma ao DN Isaltino Morais. O presidente da autarquia sublinha que o evento será "mais importante para o país" do que para o município, já que é uma "excelente oportunidade" para mostrar a capacidade de inovação portuguesa.

A montra do conhecimento nacional poderá ser vista por duas dezenas de países dos seis continentes e contará, entre outros destaques, com a tecnologia produzida em Portugal para os veículos espaciais enviados a Marte e a presença do astronauta Rui Moura. A oferta científica será complementada com atividades nas áreas da música, do cinema e do teatro, mas também das artes têxteis, digitais e da literatura. "Teremos uma livraria dentro do recinto graças à parceria com a Ler Devagar", acrescenta Rúben Oliveira.

Ecossistema de inovação

A escolha de Oeiras como cidade anfitriã do FIC.A deveu-se, explica o organizador, ao seu "ecossistema científico e tecnológico" que permite alavancar a iniciativa e robustecer a colaboração com instituições do concelho. Pedro Patacho, vereador com o pelouro da ciência, aproveitou o momento para destacar a "agenda estratégica" do município para esta área assente em três "grandes linhas de ação" - a ciência, a educação e a sociedade. A intenção é a "aproximação entre os cientistas e as pessoas", mas também o apoio à investigação através do investimento de cerca de 1% do orçamento camarário, que representa cerca de dois milhões de euros. "Exemplo do trabalho que estamos a fazer é o financiamento de provas de conceito e de bolsas para a investigação", detalhou.

A organização espera receber 40 mil visitantes nos jardins e no Palácio do Marquês de Pombal, sendo metade alunos das escolas do município. As regras de higiene e segurança que decorrem da pandemia estarão asseguradas, garantem os responsáveis.

dnot@dn.pt

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG