O momento português de Tarantino e DiCaprio em Cannes

Uma pergunta do DN causou furor na conferência de imprensa de Era uma Vez... em Hollywood e fez parar o Festival de Cannes. Leonardo DiCarprio e Quentin Tarantino falaram dos excluídos da indústria.

Sala a abarrotar com jornalistas nervosos e entusiasmados e os agentes de Brad Pitt e Leonardo DiCaprio num frenesim inédito. Era uma Vez em... Hollywood, de Quentin Tarantino, teve esta manhã a conferência de imprensa mais concorrida da história do festival e o Diário de Notícias conseguiu a pergunta que gerou mais entusiasmo no Palais Lumiére de Cannes.

Afinal, Rick Dalton, o ator de westerns televisivos em declínio, é um grande ator ou um canastrão de todo o tamanho?

A pergunta do DN era para Tarantino e DiCaprio, mas foi o ator que quis logo responder: "Hell, yeah! O Rick é um grande ator!"

Mais a sério, e logo de seguida, o ator que é brilhante neste papel de cabotino de Hollywood dos anos 1960 passou o resto da resposta a elogiar o seu realizador: "Poucas pessoas no mundo têm o seu conhecimento de música, televisão e cinema. Parece uma base de dados de computador e não para. É um conhecimento que está ainda a aumentar. Era uma Vez em... Hollywood é a sua carta de amor à indústria e fala de dois marginais dessa indústria ultrapassados em plenos anos sessenta. Todos nós nesta mesa [Brad Pitt e a atriz Margot Robbie] já nos sentimos excluídos pela indústria no começo... Realmente, o filme é também uma carta de amor a esses excluídos e nesse sentido estudámos estrelas como Ralph Meeker ou Edward Burns, tipos que o Quentin ama. Diria que é um tributo artístico a este catálogo de atores e aos feitos que eles conseguiram na televisão. O filme é, repito, uma carta de amor aos excluídos da indústria, uma indústria que temos muita sorte em pertencer. Do meu ponto de vista, este é o seu filme de regresso a casa, se é que me faço entender..."

Tarantino sorri e, no seu gaguejar veloz, quer também responder à pergunta portuguesa: "Sobre isso, tenho de dizer que acabei por cortar uma cena em que tínhamos o agente do Rick, interpretado pelo Al Pacino, a falar da hipótese de uma alternativa ao Steve McQueen no A Grande Evasão. E, na verdade, o John Sturgeschegou a fazer uma lista de possíveis atores para protagonizar o filme. Na verdade, essa cena tem o Rick no A Grande Evasão e acho que você iria achá-lo bem decente nesse filme, mesmo, claro, sem ultrapassar o Steve McQueen. Isso é tão cool... A cena que não vão ver era precisamente aquele momento do Steve McQueen que o fez ficar estrela, quando confronta o oficial nazi. Acho que ficou um momento muito bom, mesmo realmente assustador. Tão bom que o tirei, pois ainda alguém se vai lembrar de fazer o Casablanca com o George Clooney".

É rezar para que um dia as 2.30 do filme sejam alargadas para uma versão alargada com essa cena.

No final do encontro com a imprensa internacional houve ainda uma resposta irada de Tarantino à pergunta da jornalista do New York Times, que se queixava das poucas linhas de diálogo para Margot Robbie e a sua Sharon Tate: "Rejeito isso", disse o realizador de forma seca. Ainda assim, mal se despediu, uma salva de palmas ruidosa, coisa rara numa conferência de imprensa em Cannes.

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