Exclusivo O humor e a melancolia de Woody Allen estão bem e recomendam-se

Chegou na última semana às livrarias portuguesas um novo título de Woody Allen. Depois da autobiografia A Propósito de Nada, lançada em 2020, Gravidade Zero não é um romance nem um conjunto de crónicas - chamemos-lhe pequenas histórias de um comediante com QI acima da média e a alma vendida aos encantos de Nova Iorque.

Há coisa de poucas semanas circulou a notícia de que Woody Allen estava a pensar em reformar-se do cinema. A suposta certeza, veiculada por uma entrevista a um jornal espanhol (La Vanguardia), era que tal aconteceria após terminar o seu 50.º filme, Wasp 22, um thriller que começa agora a ser rodado em Paris. No dia seguinte, ainda o anúncio de grande interesse mediático não tinha arrefecido nas redes sociais, surgia o desmentido por parte da assessoria de imprensa do realizador americano, que numa declaração ao IndieWire dizia que Allen nunca se referira à reforma na dita entrevista, mas antes a uma perda de vontade de fazer filmes, uma vez que hoje em dia estes estão condenados às plataformas de streaming - não nos admira que seja um cenário pouco apelativo para alguém afeiçoado às memórias da experiência da sala escura. Resumo do caso: as notícias da aposentadoria do realizador de Manhattan foram manifestamente exageradas.

A vertente criativa que não se põe em causa no meio deste burburinho de diz que disse é a literária. E a prová-lo está aí Gravidade Zero, com chancela das Edições 70 (também responsável pelo anterior A Propósito de Nada), livro que no passado mês de junho motivou uma entrevista via Instagram Live conduzida pelo ator Alec Baldwin, a quem Allen confessou que já perdeu muita da emoção de fazer filmes - embora não tenha falado em reforma... - e que, aos 86 anos, está a sentir-se cada vez mais confortável em casa: a escrever.

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