O filme de monstros fofinho

Godzilla vs Kong, de Adam Wingard, é o primeiro blockbuster da reabertura de salas. A fábula de um gorila e um lagartão servida com um pouco mais de humor do que é habitual...

Poderá ser este o filme que salva a indústria de cinema americano? Na América, os resultados nos cinemas de Godzilla vs King são triunfantes, mesmo com o contexto de muitas salas fechadas. O filme fatura e fatura mesmo com a simultaneidade da opção streaming (HBO Max). Este duelo de titãs mesmo que não salve coisa nenhuma está a dar esperança ao mercado. Um filme do chamado universo de monstros da Warner, o MonsterVerse, neste caso a quarta instalação, embora, afinal de contas, seja um desejo de fita de pancadaria (dir-se-ia mesmo "porrada") entre um lagarto radioativo e um gorila gigante, com socos, pontapés, cabeçadas e mordidas, bem como toda uma miríade de destruição colateral de grande escala. Enfim, um espetáculo digital que surpreendentemente vive apenas desse mesmo desejo abrutalhado: divertir com os efeitos visuais da estética dos filmes de super-heróis, ou seja, de filme de monstros há muito pouco - e quando há é mais de monstros fofinhos.

Nesta história com níveis de insanidade gloriosa temos o inevitável duelo entre Godzilla e King Kong, numa altura em que o macaco é transportado para uma espécie de centro da terra onde poderá encontrar uma forma de energia capaz de parar o lagarto japonês, que, ao que parece, está de novo descontrolado. A dada altura percebemos logo que o vilão afinal é a ganância humana. Ainda assim, o duelo permite batalhas navais, destruição de Hong Kong e viagens de naves anti-gravitacionais como se de um filme de ficção-científica. Pelo meio, desfilam atores como Rebecca Hall, Millie Bobby Brown e Alexander Skarsgard sem papéis palpáveis - Godzilla vs Kong não quer nada com atores.

Se é melhor que os anteriores Godzilla e o Kong- Ilha da Caveira? Seguramente, mesmo quando da sua autocondescendência nasce uma pose de mero gozo infantil com os géneros, com destaque para a possibilidade do filme de aventuras clássico. De resto, é um filme travestido pelos germes de uma irrisão que se dinamita a si própria com uma pose glutona: tudo em demasia, tudo a cansar, tudo a celebrar o exagero descabelado.

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