Exclusivo O artista em busca da consciência plena

"Animal Farm" é uma reflexão do artista plástico taiwanês Chou Ching-hui sobre as prisões invisíveis a que a sociedade contemporânea sujeita o indivíduo. No Museu do Oriente, em Lisboa, até 23 de outubro.

Houve um dia em que a linguagem da fotografia, por si só, deixou de lhe bastar. Chou Ching-Hui, nascido em Taiwan (a ilha a que os navegadores portugueses chamaram Formosa no final do século XVI e que a China considera como fazendo parte do seu território), foi fotojornalista durante décadas, mas à medida que avançava para o registo artístico sentia que lhe faltava algo que não fosse mediatizado por uma ferramenta. "Quis transmitir imagens que, embora usem a fotografia como instrumento, não são filtradas por ela e são tão completas quanto possível", diz ao DN. "Quero que seja tudo muito claro. Faz-me muita confusão a ideia do viajante que chega a Paris e prefere o postal da Torre Eiffel à fruição do próprio monumento que está, finalmente, à sua frente."

"Animal Farm", a exposição que apresenta no Museu do Oriente, em Lisboa, até 23 de outubro (a sua primeira individual na Europa) nasce dessa aspiração ao "claramente visto", na expressão renascentista de Camões. Desenvolvido ao longo de cinco anos de trabalho, Chou usa aqui os jardins zoológicos como fonte de inspiração e como metáfora para abordar a vida contraditória das sociedades contemporâneas, tão cheias de possibilidades criativas como de tensão e conflito. Para o artista, os jardins zoológicos são também isso: "Um lugar em que se apresentam as maravilhas da vida moderna, através de uma coleção de animais raros de todo o mundo, fazendo alusão à salvação apocalíptica da Arca de Noé, ao mesmo tempo que esses animais são privados de uma vida plena, em liberdade".

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