Nuno Lopes, a nova estrela da Netflix numa Ibiza louca

Está hoje disponível a grande aposta da Netflix para esta temporada, White Lines, a série que nos vai viciar no mundo das drogas e sexo em Ibiza. Tem Nuno Lopes como "romantic lead" e, vistos todos os episódios, o DN aposta em fenómeno global...

Não é o "mau-da-fita", não é personagem manhoso nem tão pouco secundário. Nuno Lopes em White Lines, a nova série de Alex Pina, o criador do fenómeno La Casa de Papel, tem o papel masculino principal, ele é Boxer, um chefe de segurança das discotecas de uma poderosa família de Ibiza. Trata-se "apenas" do papel internacional mais importante de um ator português em muitos anos. Um papel que pode ainda mais reforçar o seu estatuto de estrela internacional quanto mais não seja porque White Lines é ainda mais viciante e interessante do que La Casa de Papel.

Pensado como um thriller de mistério, esta série que é pensada para ser vista em maratona compulsiva, o chamado "binge watching", anda à volta da morte de um DJ de Manchester há 20 anos em Ibiza. No primeiro episódio vemos a irmã desse DJ, a viajar até à ilha espanhola para investigar as causas de uma misteriosa morte que nos leva para os bastidores da noite "caliente" do maior centro da música tecno. A inglesa vai descobrir factos da vida do irmão que desconhecia e deixar-se consumir pelos encantos de um lugar onde a praia, o luxo, as drogas e o sexo casual continuam a ser a prioridade. Ao mesmo tempo, Alex Pina imagina um conto onde sintetiza o impacto da cultura "rave" e a exportação do fenómeno Madchester (sim, Happy Mondays são uma constante na banda-sonora), relatando-se um estilo de vida que ainda hoje é moda na capital das discotecas.

O papel do DJ como nova "rock-star" e a fusão dos prazeres da pista de dança com os estados alterados das pastilhas e das linhas brancas de cocaína. Tudo isto não tem sombra de pecado documental, nem por sombras - a intriga procura sempre as causas do fascínio dos elementos iconográficos de Ibiza: as casas de sonho, os iates, os carros descapotáveis, as praias secretas, enfim, tudo o que está no cartão postal da terra do Pacha.

Pelo meio, a investigação da irmã do DJ passa por uma narrativa à Dinastia com a revelação da luta de clãs familiares em Ibiza e de todos os meandros de como a droga chega às discotecas. Torna-se frustrante perceber que Alex Pina não resiste a uma certa fórmula novelesca de engendrar reviravoltas de segredos de família, em que se fala de adultério, rivalidades do passado e até de incesto. Felizmente, as personagens têm força e as suas fraquezas emocionais pintam um quadro de excentricidade plausível.

O mais interessante deste retrato dos impérios e misérias em Ibiza é que mais do que a droga, a pulsão sexual parece ser o motor da ilha. Como alguém diz a meio da série, "em Ibiza tudo tem a ver com sexo". Esse lado de perdição sexual parece ser a chave do fator mais humano da série por muito paradoxal que possa parecer. E como a narrativa vive de um longo "flashback" de 20 anos, assistimos também à entrada na vida adulta de uma série de personagens, em particular o grupo de DJ's ingleses vindos de Manchester para Ibiza para revolucionar as pistas.

Por entre orgias e festas loucas, White Lines talvez seja um ensaio sobre a difícil passagem para uma nova etapa ou como é complicado na indústria da "movida" as pessoas se despedirem da sua juventude. E é aí precisamente que entre a fórmula do thriller e do drama surja uma tristeza muito digna nestas personagens. Afinal, se a série se torna viciante é porque queremos saber das personagens: qual é o motivo da busca da irmã, porque razão Axel, o DJ assassinado, se deixou consumir pela auto-destruição ou quais as causas da lealdade de Boxer à família Calafat.

Quanto a Nuno Lopes, a representar em Inglês e castelhano, o seu Boxer é de uma complexidade interessante. Duro e homem de ação, é também um tipo que é fã dos filmes na Nouvelle Vague e de vinho português. Um romântico que prefere romance a sexo no apartamento modernaço que tem no topo da mega discoteca da moda. É um Nuno Lopes fisicamente transformado: musculado, barbudo e de cabelo puxado para trás com gel. O ator agarra muito bem este trabalho de protagonista, imprimindo-lhe nuances subtis e uma mágoa delicada. Depois deste papel, é natural que comece a ter propostas para Hollywood - White Lines arrisca-se a ser a série mais vista desta primavera no catálogo da Netflix. Curiosamente, a versão mais nova de Boxer é interpretada pelo ator Rafael Morais, conhecido de filmes como Amadeo, de Vincent Alves do Ó, e Sangue do Meu Sangue, de João Canijo. Surpreendente é a pequena participação de Paulo Pires. O seu George é um milionário de Ibiza, uma espécie de cinquentão libertino que logo no primeiro plano aparece nu de forma "objectivada". Mudam-se os tempos...

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