Madonna rejeita boicote à Eurovisão após notícia sobre inexistência de contrato para atuar

A presença de Madonna na Eurovisão foi colocada em causa pela organização mas um comunicado da cantora confirma que vai estar em Israel. A cantora revelou que reza "por um novo caminho até à paz" no Médio Oriente.

A cantora norte-americana Madonna rejeitou os apelos para boicotar a final do Festival Eurovisão da Canção, onde irá atuar no sábado, afirmando que "nunca deixará de tocar música para servir a agenda política de alguém". A afirmação da cantora foi feita através de um comunicado hoje divulgado pela agência Associated Press.

Mas, esta é uma presença que terá estado em dúvida até há poucas horas segundo a BBC, quando a organização revelou que "nunca foi confirmado o nome de madonna para uma atuação". Segundo um executivo da organização, Jon Ola Sand, "se não há um contrato assinado, ela nãio poderá atuar no nosso palco".

O anúncio da presença de Madona é de abril e adiantava que a cantora iria interpretar um tema do seu novo álbum, Madame X, e outro de Like A Prayer.

Segundo a agência, Madonna deverá chegar hoje a Israel e já disse que o seu coração "parte-se" de cada vez que ouve falar "nas vidas inocentes que se perdem nesta região" e "na violência que é tantas vezes perpetuada para servir os objetivos políticos de pessoas que beneficiam deste conflito antigo [entre israelitas e palestinianos]". A cantora revelou que reza "por um novo caminho até à paz".

Israel acolhe o concurso, depois de o ter vencido, pela quarta vez, no ano passado com o tema "Toy", interpretado por Netta.

O movimento de boicote cultural a Israel tem instado os artistas a boicotarem o concurso, disputado por 41 países e cuja primeira semifinal se realiza hoje, em que Portugal será representado por Conan Osiris, com o tema "Telemóveis". A segunda semifinal está marcada para quinta-feira e a final para sábado.

Em junho do ano passado, diversas organizações culturais palestinianas apelaram ao boicote ao concurso, sublinhando que "o regime israelita de ocupação militar, colonialismo e apartheid está descaradamente a usar a Eurovisão como parte da sua estratégia oficial 'Brand Israel', que tenta mostrar 'a face mais bonita de Israel' para branquear e desviar a atenção dos seus crimes de guerra contra os palestinianos".

Em setembro, mais de uma centena de artistas de todo o mundo, incluindo de Portugal, manifestaram apoio a esse apelo. Já este ano, em janeiro, mais de 60 organizações, a maioria de defesa dos direitos LGBTQIA, de vários países, Portugal incluído, apelaram aos membros daquela comunidade para que boicotem o concurso.

Em abril, o músico Roger Waters, dos Pink Floyd, aconselhou Madonna e todos os concorrentes do 64.º Festival Eurovisão da Canção a lerem a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Num artigo de opinião, intitulado "Se acreditas em Direitos Humanos, Madonna, não atues em Telavive", publicado a 17 de abril no jornal britânico The Guardian, o músico exortava "todos os jovens concorrentes -- na verdade todos os jovens, na verdade todas as pessoas jovens e velhas, e isso inclui Madonna -- a lerem a Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU)", lembrando que esta "foi traduzida em 500 línguas, para que qualquer pessoa possa conhecer os seus 30 artigos".