Exclusivo Joana Espadinha: "Este álbum foi como uma terapia"

A cantautora apresenta esta quinta-feira, dia 23 de setembro ao vivo em Lisboa, na Casa do Capitão, o novo álbum Ninguém Nos Vai Tirar o Sol, também editado nesta semana.

Foi gravado durante o primeiro confinamento, mas soa hoje como a banda sonora perfeita para o tempo pós-pandemia que parece cada vez mais perto. O título, Ninguém Nos Vai Tirar o Sol, não poderia aliás ser mais direto, tal como muitas das letras deste terceiro álbum de Joana Espadinha, cada vez mais uma das rainhas da pop nacional, mas também uma cantautora de exceção, que se destaca pelo modo como nos consegue pôr a dançar enquanto canta, com aparente leveza, sobre os temas mais profundos. Em entrevista ao DN, assume que este será, porventura, o seu trabalho "mais pessoal", embora tal não signifique que passou a fazer música em circuito fechado, bem pelo contrário. Basta ouvir temas como Dar Resposta, Queda Prá Desgraça ou o já êxito Mau Feitio, para perceber que as canções de Joana Espadinha depressa se tornam de quem as ouve, como se cantasse ao ouvido de cada um as suas próprias histórias. Tal como esta quinta-feira, dia 23 de setembro, vai acontecer na Casa do Capitão, em Lisboa, na primeira apresentação ao vivo de Ninguém Nos Vai Tirar o Sol.

Ninguém Nos Vai Tirar o Sol é um título muito resiliente, bastante à imagem do que temos vivido nestes dois anos. Pode dizer-se que é um disco resultante deste tempo?
Sim e não, porque metade destas músicas foram escritas antes da pandemia e as restantes já durante o período do primeiro confinamento. Portanto é inevitável que isso tenha tido um grande impacto, não é? Porque os artistas acabam sempre por refletir o mundo à sua volta e as suas próprias experiências. A minha maior dificuldade, nessa altura, foi mesmo o lidar com toda a incerteza, naquela fase em que não fazíamos ideia do que ia acontecer ao mundo e o que aí vinha. E também se faria sentido para as pessoas receberem as minhas canções. Ou seja, se as minhas canções deviam fazer quase um exercício de futurologia ou deixar que apenas saíssem como tivessem de sair, como acabou por acontecer. Mas sim, inevitavelmente, a pandemia acabou por marcar o disco, tal como a minha gravidez, que coincidiu com o primeiro confinamento. Aliás, nem sei o que marcou mais, porque acabei por viver as duas coisas ao mesmo tempo, foi mesmo surreal. Algumas canções até ganharam novos significados, especialmente aquelas que eram antigas, como uma em que digo que "fui para casa ver o sol num televisor", uma frase escrita antes do confinamento e que de repente fazia todo o sentido.

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