Uma música por dia: Luís Severo, "Planície"

O músico português apresenta-se no domingo no festival Bons Sons.

Este fim-de-semana há Bons Sons na aldeia de Cem Soldos (Tomar). Este é um festival único, não só porque é organizado pela associação cultural da terra com a ajuda da população e de muitos amigos, sem objetivos comerciais (o dinheiro conseguido é para investir na aldeia), mas também porque a programação, só com música portuguesa, é de grande qualidade. Este ano, por exemplo, temos Norberto Lobo, Tomara, João Afonso, Sara Tavares, Zeca Medeiros, Paus, Conan Osíris, Lena D'Água e Linda Martini.

No domingo, pelas 18.30, o palco Giacometti será ocupado por Luís Severo com a sua banda. O músico de 26 anos traz temas dos seus dois únicos álbuns: Cara D'Anjo (2015) e Luís Severo (2017), com músicas como Escola, Boa Companhia e Planície (Tudo Igual). Será uma das últimas oportunidades para ver Luís Severo ao vivo antes de ele voltar para estúdio para gravar o próximo disco.

O videoclipe de Planície (Tudo Igual) foi realizado por Luís Henrique e Núria Léon Bernardo entre maio e outubro de 2017, o que significa que atravessa três estações - primavera, verão e outono. O resultado é este:

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

OE 2019 e "o último orçamento que acabei de apresentar"

"Menos défice, mais poupança, menos dívida", foi assim que Mário Centeno, ministro das Finanças, anunciou o Orçamento do Estado para 2019. Em jeito de slogan, destacou os temas que mais votos poderão dar ao governo nas eleições legislativas, que vão decorrer no próximo ano. Não é todos os anos que uma conferência de imprensa no Ministério das Finanças, por ocasião do orçamento da nação, começa logo pelos temas do emprego ou dos incentivos ao regresso dos emigrantes. São assuntos que mexem com as vidas das famílias e são temas em que o executivo tem cartas para deitar na mesa.

Premium

nuno camarneiro

Males por bem

Em 2012 uma tempestade atingiu Portugal, eu, que morava na praia da Barra, fiquei sem luz nem água e durante dois dias acompanhei o senhor Clemente (reformado, anjo-da-guarda e dançarino de salão) fixando telhados com sacos de areia, trancando janelas de apartamentos de férias e prendendo os contentores para que não abalroassem automóveis na via pública. Há dois anos, o prédio onde moro sofreu um entupimento do sistema de saneamento e pude assistir ao inferno sético que lentamente me invadiu o pátio e os pesadelos. Os moradores vieram em meu socorro e em pouco tempo (e muito dinheiro) lá conseguimos que um piquete de canalizadores nos exorcizasse de todo mal.

Premium

João Gobern

Há pessoas estranhas. E depois há David Lynch

Ganha-se balanço para o livro - Espaço para Sonhar, coassinado por David Lynch e Kristine McKenna, ed. Elsinore - em nome das melhores recordações, como Blue Velvet (Veludo Azul) ou Mulholland Drive, como essa singular série de TV, com princípio e sempre sem fim, que é Twin Peaks. Ou até em função de "objetos" estranhos e ainda à procura de descodificação definitiva, como Eraserhead ou Inland Empire, manifestos da peculiaridade do cineasta e criador biografado. Um dos primeiros elogios que ganha corpo é de que este longo percurso, dividido entre o relato clássico construído sobretudo a partir de entrevistas a terceiros próximos e envolvidos, por um lado, e as memórias do próprio David Lynch, por outro, nunca se torna pesado, fastidioso ou redundante - algo que merece ser sublinhado se pensarmos que se trata de um volume de 700 páginas, que acompanha o "visado" desde a infância até aos dias de hoje.