Têm dois dias para subir à Torre Eiffel e ver a obra de arte de Saype

Artista francês pintou uma cadeia de mãos dadas no relvado em Paris. A obra chama-se "Beyond Walls" e fala do acolhimento dos migrantes.

A vista do alto da Torre Eiffel, em Paris, é sempre deslumbrante mas este fim de semana tem mais um motivo de interesse: nos jardins que se estendem aos pés da torre, conhecidos como Champ de Mars, de o artista francês Saype pintou com spray a obra de arte Beyond Walls: mãos dadas formando um vasto cordão ao longo de mais de 600 metros.

Saype - cujo nome original é Guillaume Legros - é um artista de 20 anos que se especializou em pinturas biodegradáveis e de grandes dimensões, tendo já criado obras de arte em montais e parques em vários locais do mundo, e que depois desaparecem ao fim de alguns dias.

Beyond Walls é, segundo o artista, um tributo ao trabalho da organização SOS Méditerranée, que todos os dias salva migrantes que correm o risco de morrer afogados no mar Mediterrâneo. Em média, morrem todos os dias seis pessoas nessa travessia. "É um símbolo da união num tempo em que as pessoas estão cada vez mais centradas em si mesmas", explicou Saype ao jornal The Guardian.

A obra só pode ser vista de cima, quem estiver no solo praticamente nem se apercebe de que há algo marcado na relva. "Quando pinto, não vejo o que estou a fazer. É bastante filosófico", explicou o artista. "Se se está emocionalmente muito próximo de algo, não se consegue vê-lo como deve ser. Só quando nos afastamos é que a realidade nos atinge."

Para fazer esta pintura, Saype usou trabalhou durante várias semanas e usou mais de 1300 litros de tinta. E sabe que a obra só poderá ser apreciada plenamente durante dois ou três dias, uma vez que rapidamente irá desaparecer à medida que for pisada pelos transeuntes. O desaparecimento faz parte da performance artística, diz.

Ao longo dos próximos três anos Saype pretende realizar obras semelhantes em mais de 20 cidades, incluindo Londres, Berlim, Nairobi e Buenos Aires. Depois de Paris, Saype irá trabalhar em Andorra e depois Genève (Suíça).

Exclusivos