Ricardo J. Rodrigues é finalista do Prémio Gabo

Surpresa foi a reação do jornalista Ricardo J. Rodrigues ao saber que a sua reportagem foi selecionada entre 1714 trabalhos do mundo ibero-americano: "Não estava à espera".

O jornalista do Diário de Notícias Ricardo J. Rodrigues é um dos dez finalistas na categoria texto da sexta edição do Prémio de Jornalismo Gabriel García Márquez, ao qual concorreram no conjunto 1714 trabalhos de 24 países ibero-americanos. O trabalho intitula-se "Estás viva, minha irmã, estás viva" e foi publicado na revista Notícias Magazine em 2017. A concorrer com a reportagem de Ricardo J. Rodrigues estão as de dois jornalistas do Brasil, três do México, um de Espanha, dois de El Salvador e um da Venezuela.

Para Ricardo J. Rodrigues, ao receber hoje a notícia de um responsável do Prémio Gabo, o facto de estar na seleção dos 10 melhores textos a concurso foi uma surpresa: "Não estava à espera e nem percebi que era um telefonema da Colômbia a dar notícia da nomeação." Segundo o jornalista esta "é a história muito bonita sobre uma pessoa que tive o privilégio de ver e ajudar a resolver a sua própria vida". A reportagem conta a história do regresso a Angola de Isabel Batata Doce 50 anos depois de um grupo de soldados a ter trazido ainda bebé para Lisboa.

Esta reportagem é de autoria de Ricardo J. Rodrigues e contou com a imagem do fotógrafo Rui Oliveira. Para o jornalista, disse, "este foi um verdadeiro trabalho de equipa, pelo que a nomeação é para ambos".

A escolha da reportagem de Ricardo J. Rodrigues, tal como as restantes 39 que são finalistas, resultou de um processo com três fases eliminatórias em quatro áreas: texto, imagem, cobertura e inovação. Cinco dezenas de especialistas nestas áreas cumpriram as várias fases da seleção, processo que terminou a 12 de agosto em Cartagena, Colômbia, por 12 membros de um júri internacional de referência. Agora segue-se uma seleção final de três trabalhos em cada uma das quatro áreas e dia 4 de outubro serão anunciados os vencedores do prémio durante o Festival Gabo, numa cerimónia em Medellín.

O trabalho "Racismo à Portuguesa", de Joana Gorjão Henriques, do jornal Público é outro finalista português, na categoria Imagem.

Ler mais

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?

Premium

Catarina Carvalho

O populismo na campanha Marques Vidal

Há uma esperança: não teve efeito na opinião pública a polémica da escolha do novo procurador-geral da República. É, pelo menos, isso que dizem os estudos de opinião - o número dos que achavam que Joana Marques Vidal devia continuar PGR permaneceu inalterável entre o início do ano e estas últimas semanas. Isto retirando o facto, já de si notável, de que haja sondagens sobre este assunto.